Fábio Guimarães Leite foi anunciado como novo acionista majoritário da Avibras nesta quarta-feira (6). A empresa, sediada em Jacareí, enfrenta grave crise financeira e está em recuperação judicial desde março de 2022.
Leite ficará responsável pela transição e reestruturação da companhia, conforme o plano aprovado em maio. Entre suas atribuições estão a análise de atividades não relatadas e a negociação de novo acordo coletivo com funcionários.
Crise financeira e greve histórica
A Avibras vive uma das maiores crises de sua história, marcada por uma greve dos funcionários que completou 1 mil dias no início de junho. A paralisação começou em setembro de 2022, motivada por atrasos salariais que já ultrapassam 25 meses.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos realizou reunião com o novo controlador e convocou assembleia para 14 de agosto, quando será nomeado um novo presidente para a empresa.
Cronograma da crise
Em março de 2022, a Avibras pediu recuperação judicial alegando dívidas de R$ 600 milhões. Desde então, a empresa enfrentou tentativas frustradas de venda para investidores internacionais e nacionais, incluindo negociações com a australiana Defendtex, um possível investidor chinês, um investidor brasileiro e uma empresa saudita. Em maio de 2025, a credora Brasil Crédito anunciou intenção de compra, mas o desfecho ainda é incerto.
Histórico e relevância da Avibras
Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras Aeroespacial consolidou-se como a maior indústria bélica do Brasil e uma das pioneiras no setor aeroespacial nacional.
Com sede em Jacareí, interior de São Paulo, a empresa desenvolve tecnologia para as áreas de Defesa e Civil, sendo responsável por projetos de aeronaves e veículos espaciais para fins civis e militares. Sua atuação abrange mercados nacional e internacional, destacando-se no desenvolvimento de motores de foguetes para as forças armadas.
Apesar da tradição e importância estratégica, a Avibras enfrenta incertezas quanto ao futuro, com sucessivas tentativas de reestruturação e venda, além da necessidade urgente de regularizar salários e retomar a produção.