O preço do porco vivo pronto para abate caiu para R$ 5,18 o quilo em São Paulo, o menor valor de toda a série histórica acompanhada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, em Piracicaba (SP).
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (20), aponta queda de 43,1% no preço do animal vivo em 2026 e recuo de 36,2% na carcaça especial no mesmo período.
Para os pesquisadores, o tombo reflete a combinação de sobreoferta de animais com demanda enfraquecida, um cenário que já provocou prejuízos e levou ao fechamento de produtores independentes na região.
Recuo supera o pior momento de 2022
Segundo o Cepea, o cenário atual é o mais severo da série histórica acompanhada na praça SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba. Em 2022, considerado até então o ano mais difícil para o setor, a pior cotação chegou a R$ 5,97 o quilo, valor superior ao registrado agora.
Para o Centro de Estudos, ligado à Esalq-USP, a pressão sobre as margens do setor já provocou prejuízos e levou ao encerramento das atividades de produtores independentes na região.
Dois fatores explicam a queda, segundo os pesquisadores. Do lado da demanda, as férias escolares e o menor poder de compra da população reduziram o consumo de carne suína, que já costuma enfraquecer na segunda quinzena de cada mês. Do lado da oferta, os maiores investimentos feitos pelo setor em 2025 resultaram em mais produção — e mais suínos disponíveis — em 2026.
Suína ganhou competitividade frente à carne bovina
Em março, a carcaça especial suína negociada no atacado da Grande São Paulo fechou em R$ 10,06 o quilo, recuo de 2,8% ante fevereiro. A diferença de preço em relação à carne bovina alcançou o maior nível em quatro anos, favorecendo o consumo da proteína suína. A alta da carne bovina projetada para 2026, impulsionada pela redução do rebanho e pelas exportações intensas, chegou a colocar a suína em vantagem de competitividade em março — mas a sobreoferta de porcos reverteu o cenário meses depois.
O movimento também foi influenciado pela baixa liquidez do setor durante a Quaresma, período em que a procura do consumidor costuma cair, e pelo ritmo intenso das exportações de carne bovina, já verificado desde 2025.
Queda já era sentida desde o início do ano
Em fevereiro, o suíno vivo recuou até 20% nas regiões produtoras do interior paulista, incluindo Piracicaba, negociado à média de R$ 6,91 o quilo — ante R$ 8,24 em janeiro, baixa de mais de 16% em um único mês. Na comparação com fevereiro de 2025, quando o quilo era vendido a R$ 8,66, a desvalorização chega a 20%.
A queda contraria a expectativa do setor, que projetava demanda firme para 2026. Em agosto de 2025, o suíno em São Paulo era cotado a R$ 8,76 o quilo e a demanda permanecia firme mesmo fora do padrão sazonal — os investimentos feitos naquele momento aquecido estão na raiz da sobreoferta que hoje derruba os preços ao menor patamar histórico.
Segundo o Cepea, a queda na procura da indústria por lotes no mercado independente também pressionou as cotações do animal vivo nos meses anteriores.