O Cepea da USP analisou os preços das carnes no Brasil em agosto de 2025. Os valores do boi e do porco se mantiveram firmes ou subiram, enquanto o frango caiu. A estiagem, exportações e gripe aviária influenciaram o cenário, conforme relatório divulgado em Piracicaba.
Movimento dos preços das carnes
As cotações do boi e do porco apresentaram estabilidade e até altas no fechamento de agosto de 2025, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP em Piracicaba. Em contraste, os preços do frango recuaram no mesmo período.
O suíno vivo e a carne de porco mantiveram altas desde o final do primeiro semestre, contrariando a tendência de recuo típica do período. Os preços do boi gordo, vaca, novilha e reposição também seguiram firmes, conforme levantamento do Cepea.
Impacto da estiagem na carne bovina
O período de estiagem limitou a oferta de animais a pasto, concentrando a comercialização em lotes confinados, muitas vezes negociados por contrato. O Cepea destaca ainda que exportações intensas reduziram o volume disponível no mercado doméstico, sustentando os preços mesmo com consumo moderado.
O indicador Cepea/Esalq-USP do boi gordo (arroba de 15kg) fechou em R$ 307,75 em 19 de agosto, subiu para R$ 311,3 em 27 de agosto e ficou em R$ 310,50 no dia 29. Em 3 de setembro, chegou a R$ 313,40.
Desempenho do mercado de porco e frango
Porco
O mercado independente do suíno vivo foi impulsionado por demanda aquecida, típica do início do mês, e os preços não recuaram na segunda metade de agosto, como costuma ocorrer. As médias mensais do suíno vivo subiram em quase todas as praças acompanhadas pelo Cepea: R$ 8,57 em Minas Gerais, R$ 8,27 no Paraná, R$ 8,15 no Rio Grande do Sul, R$ 8,19 em Santa Catarina e R$ 8,76 em São Paulo.
A demanda elevada também aumentou as cotações da maioria dos produtos suinícolas em agosto.
Frango
Segundo boletim do Cepea, divulgado em 29 de agosto, os preços dos produtos avícolas caíram no fim do mês, reflexo do enfraquecimento da demanda na segunda quinzena. A média mensal ficou abaixo da de julho, e a alta dos custos de milho e farelo de soja reduziu o poder de compra do avicultor paulista.
Competitividade e gripe aviária
Em julho, os preços firmes da carne de porco reduziram sua competitividade frente às carnes bovina e de frango. Em junho, a competitividade caiu devido à alta da carne suína e à queda da carne de frango. Restrições às exportações brasileiras por causa da gripe aviária pressionaram os valores. Apesar de reações recentes nos preços da carcaça suína na Grande São Paulo, as quedas entre maio e junho impediram alta na média do mês. Em junho, o suíno vivo subiu 3,93% ante maio, atingindo R$ 8,73/kg em São Paulo, e a carcaça especial variou até 3,58%, com média de R$ 12,70.