Economia

Correios abrem novo plano de demissão voluntária até setembro

Segundo programa do ano oferece incentivo a empregados após meta de desligamentos não ser cumprida
Veículo dos Correios em pátio operacional, símbolo do plano de demissão voluntária Correios em meio à crise financeira

Os Correios abriram nesta quinta-feira (20) um novo Plano de Desligamento Voluntário (PDV), com inscrições até 30 de setembro. O incentivo financeiro é destinado a empregados lotados desde janeiro de 2025 em unidades atingidas pela reestruturação da estatal.

É o segundo PDV do ano: o primeiro, encerrado em abril, somou 3.181 adesões, bem abaixo da meta de 10 mil desligamentos prevista no plano de reestruturação dos Correios.

Como funciona o novo plano de desligamento

A adesão ao PDV é voluntária e alcança empregados dos Correios lotados, desde janeiro de 2025, em unidades já impactadas ou que venham a ser abrangidas pelo processo de otimização da rede e reestruturação da estatal. O valor do incentivo varia conforme a situação de cada trabalhador, considerando rubricas do regulamento, tempo de serviço, idade e adicionais por aposentadoria e incorporação.

A inscrição, porém, não garante o desligamento automático: as adesões passam por verificação de requisitos e são avaliadas conforme as regras do plano, as necessidades operacionais e a disponibilidade de recursos da empresa. O empregado pode desistir a qualquer momento até a data de desligamento informada pelos Correios.

Em nota, a estatal afirmou que o novo ciclo do PDV “foi concebido para atender às adequações e particularidades decorrentes do processo de reestruturação da empresa” e que as estimativas de adesão e os impactos financeiros já estão contemplados nos estudos e projeções econômicas divulgados anteriormente. O primeiro PDV, encerrado em abril com apenas 3 mil adesões — menos de 30% da meta de 10 mil prevista para o ano —, revelou o desafio de enxugar o quadro pela via voluntária e motivou a abertura desta nova rodada.

Prejuízo bilionário pressiona reestruturação

O novo PDV se soma a uma sequência de medidas para conter o rombo nas contas dos Correios. Em 2022, a estatal fechou o ano com mais de R$ 700 milhões no vermelho; em 2024, o prejuízo saltou para R$ 2,5 bilhões, e de janeiro a setembro do ano seguinte a perda somou R$ 6 bilhões.

No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo foi de R$ 3,1 bilhões — 82,35% maior do que no mesmo período de 2025, quando a empresa registrou R$ 1,7 bilhão negativo. O resultado de 2025 confirmou a gravidade da crise: R$ 8,5 bilhões de prejuízo e 14 trimestres consecutivos no vermelho — trajetória que torna o corte de despesas com pessoal uma prioridade para a estatal, que já projeta um resultado ainda pior em 2026.

A perspectiva de superávit em 2027 — citada pelos próprios Correios — está atrelada a um aporte direto de capital do governo federal, anunciado em março como parte do pacote de recuperação financeira da estatal.