O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Márcio Rea, afirmou nesta quinta-feira que não vê risco de falta de energia elétrica durante as eleições 2026 e que o órgão fará uma operação especial de acompanhamento do sistema, como ocorre em grandes eventos.
Em paralelo, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, comunicou ao TSE a antecipação de recursos da Conta de Consumo de Combustíveis para usinas isoladas da Amazônia, evitando desabastecimento por causa da baixa pluviosidade nos rios.
Feitosa explicou que os recursos vão permitir que empresas produtoras independentes comprem e estoquem combustível com antecedência, garantindo o atendimento das comunidades amazônicas mesmo em caso de dificuldades de navegação nos rios durante o período eleitoral.
A preparação, segundo ele, é feita de forma preventiva: “Quando estiver próximo das eleições, certamente o ONS vai tomar as precauções para deixar o sistema o mais robusto possível. Eles já fazem isso todos os anos, mas reforçaremos às distribuidoras a necessidade de reforçar as equipes”, afirmou o diretor da Aneel.
Preocupação recai sobre 2027
Enquanto trata a operação eleitoral como rotina, Rea admite maior cautela quanto ao ano seguinte. Para o diretor do ONS, 2027 pode ser “complicado” pela dificuldade de prever a intensidade do El Niño, fenômeno que aquece as águas do Pacífico Equatorial e tende a intensificar o calor, a seca no Norte e Nordeste e as chuvas acima da média no Sul do país.
Rede resistiu a eventos anteriores
Rea lembrou que o sistema elétrico já passou por episódios climáticos severos sem interrupção no fornecimento. Em ocorrências recentes, mais de 20 torres de transmissão foram atingidas, mas o abastecimento foi mantido por meio de rotas alternativas na rede. “A gente tem alternativas nas nossas redes para manter o sistema sempre funcionando”, disse.
A cautela com 2027 se soma a outras iniciativas do governo para blindar o setor elétrico diante do fenômeno. Em julho, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico já havia antecipado seis contratos de leilão para acrescentar 1,8 gigawatt ao sistema a partir de setembro, justamente para reforçar o abastecimento diante da chegada do El Niño. Semanas depois, a preocupação ecoou em Brasília, quando Lula convocou 24 ministros para discutir a resposta a um possível El Niño “super forte”, diante de modelos que apontam até 22% de chance de a categoria mais intensa do fenômeno se confirmar.