O número de candidaturas a deputado federal caiu 28% nas eleições 2026, recuando de 10,6 mil para 7,6 mil registros, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta sexta-feira (21).
A retração é atribuída às minirreformas eleitorais, que endureceram o acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita, beneficiando parlamentares com mandato e partidos enraizados nos municípios.
Reforma favorece quem já tem mandato
Para a cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as minirreformas eleitorais criaram critérios de desempenho para acesso ao fundo partidário e à propaganda no rádio e na TV, o que favorece quem já ocupa cadeira na Câmara. Segundo o TSE, quase 80% dos deputados federais concorrem à reeleição em 2026.
"Passamos de 29 mil para 20 mil candidaturas registradas, uma queda de quase 30%", afirma Goulart, ao comentar o total de candidaturas da Justiça Eleitoral. "Menos gente disputando e a disputa concentrada em quem já está dentro."
Menos partidos na disputa
O número de siglas concorrendo também caiu, de 32 para 28, reflexo de fusões e incorporações: PTB e Patriota deram origem ao PRD, o PROS foi incorporado ao Solidariedade e o PSC se juntou ao Podemos.
Mulheres ganham espaço proporcional
A queda atingiu homens e mulheres, mas em ritmos diferentes: cerca de 25% entre elas e 30% entre eles. Em números absolutos, as candidaturas femininas passaram de 3.717 para 2.788, e as masculinas, de 6.905 para 4.840. Com isso, a participação das mulheres no total subiu de 35% para 36,6%.
Novo dispara, PL lidera e Agir despenca
O Novo registrou o maior salto entre os partidos, mais que dobrando suas candidaturas, de 221 para 505 — alta de 128%. A sigla saltou do 21º para o 3º lugar em número de nomes. Goulart explica que o partido tem pouca estrutura de mandatos, o que torna ameaçadora a cláusula de barreira, que exige 2,5% dos votos válidos nacionais com pelo menos 1,5% em um terço dos estados.
O PL ampliou de 511 para 534 candidaturas e assumiu a liderança do ranking. "O PL tem mandato, consegue fazer entregas [de emendas] e, portanto, pode sustentar 534 candidaturas viáveis", avalia Goulart.
Já a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PC do B e PV, teve queda de 8,8%, de 533 para 486 candidaturas, mas ampliou sua fatia proporcional no total, de 5% para 6,2%. O retrocesso no ranking, segundo a cientista política, decorre do avanço de outras siglas, não de recuo próprio. O Agir foi quem mais perdeu espaço, com queda de 72%, de 373 para 103 candidatos.