Economia

Correios fecham 2025 com rombo de R$ 8,5 bi e 14 trimestres no vermelho

Precatórios concentraram R$ 6,4 bilhões do prejuízo; plano de reestruturação começa aquém da meta
TCU e governo Lula diante do resultado financeiro dos Correios 2025

Os Correios divulgaram nesta quinta-feira (23) os resultados financeiros de 2025 e confirmaram mais um ano de perdas expressivas: o prejuízo total somou R$ 8,5 bilhões, dos quais R$ 6,4 bilhões foram gerados pelo pagamento de precatórios — despesas obrigatórias decorrentes de decisões judiciais já transitadas em julgado.

É o 14º trimestre consecutivo de resultado negativo da empresa, série que se arrasta desde o quarto trimestre de 2022. A receita bruta do período foi de R$ 17,3 bilhões, queda de 11,35% em relação a 2024.

Empréstimo bilionário com aval do Tesouro

Para enfrentar a sangria, os Correios fecharam, nos últimos dias de 2025, um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O acordo foi publicado no Diário Oficial da União em 27 de dezembro e tem validade até 2040.

Banco do Brasil, Caixa e Bradesco aportaram R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander contribuíram com R$ 1,5 bilhão cada. A taxa de juros ficou em 115% do CDI — abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro Nacional, que autorizou a operação em 18 de dezembro.

O contrato prevê carência de três anos, com pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. A garantia da União significa que o governo federal assume as parcelas caso os Correios fiquem inadimplentes — reduzindo o risco para os bancos credores.

Apesar do volume captado, o aporte mal moveu o ponteiro do resultado anual: o dinheiro serve para cobrir despesas já acumuladas, não para reduzir a estrutura de gastos que origina o déficit.

Em fevereiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o espaço de captação da estatal, autorizando mais R$ 8 bilhões em empréstimos com garantias da União. A contratação, porém, ainda não foi concluída e deve ser definida apenas no fim do primeiro semestre de 2026, segundo pessoas que acompanham as discussões.

O TCU, que já havia classificado os Correios como caso de alto risco de sustentabilidade financeira, encaminhou ao Congresso um histórico de perdas que documenta a escalada do déficit: R$ 700 milhões em 2022, R$ 2,5 bilhões em 2024 — e o resultado de 2025 oficializa o aprofundamento da crise.

Reestruturação começa com tropeços

Também nesta quinta-feira, os Correios apresentaram um balanço do plano de reestruturação aprovado no fim de 2025. O diagnóstico é de início abaixo do esperado em duas frentes prioritárias: a redução de pessoal e a venda de imóveis.

O programa de demissão voluntária (PDV) lançado no começo do ano encerrou com apenas 3.075 adesões — 30% da meta de 10 mil funcionários. O plano original previa ainda outras 5 mil saídas em 2027, número que agora parece ainda mais distante.

Na frente imobiliária, os dois primeiros leilões, realizados em fevereiro, colocaram 21 unidades à venda, mas apenas 4 foram arrematadas. No total, a estatal informou ter arrecadado cerca de R$ 11,3 milhões com a venda de 11 imóveis até o momento — valor residual diante do tamanho do rombo.

O cenário dos Correios se insere num contexto mais amplo de deterioração das finanças das empresas públicas federais. As estatais federais acumularam R$ 4,16 bilhões de déficit nos dois primeiros meses de 2026 — o pior início de ano desde 2002 —, com a empresa de encomendas no epicentro do problema.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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