O governo federal ampliou nesta quarta-feira (19) o valor máximo de financiamento do Move Brasil, de R$ 150 mil para R$ 200 mil por veículo, em portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
A mudança busca destravar a baixa adesão ao programa, que oferece R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem carros novos ou híbridos.
A portaria também passou a incluir novos modelos de veículos híbridos entre os elegíveis ao financiamento. Segundo o governo, a elevação do teto amplia de cerca de 63% para 88% o alcance potencial do Move Brasil no mercado brasileiro de veículos, com base nos emplacamentos de 2025.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta que os bancos públicos têm participado mais da operação do que os privados, que demonstram menos apetite pela linha. O programa foi anunciado em maio deste ano e usa recursos do Tesouro Nacional repassados ao BNDES para cobrir a diferença entre os juros de mercado e as taxas reduzidas oferecidas aos motoristas.
A baixa adesão já havia sido identificada em levantamento de julho, que mostrou o programa com apenas R$ 2,2 bilhões contratados dos R$ 30 bilhões disponíveis — 7,3% da meta, patamar que ajuda a explicar a decisão do governo de ampliar o teto de financiamento.
Quem pode participar do Move Brasil
Motoristas de aplicativo precisam ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e ao menos 100 corridas registradas nela — não é permitido somar corridas de apps diferentes, como Uber e 99. Taxistas devem apresentar licença e registro ativos nos órgãos de trânsito, além de regularidade fiscal, e motoristas cooperados também podem participar.
Como funciona o cadastro e a aprovação do crédito
O cadastro é feito on-line, pelo site gov.br/movebrasil, onde são avaliados os pré-requisitos de cada categoria. A resposta sai em até cinco dias úteis. Motoristas aprovados buscam o financiamento diretamente na concessionária ou no banco em que já têm conta, para análise de crédito e contratação.
Ter o nome limpo não é exigência formal do Move Brasil, mas pode ser adotado como critério pelos bancos na aprovação do financiamento — o que pode levar instituições financeiras e concessionárias a recusar a venda a quem tem pendências.
Esse ponto já havia sido apontado como o principal gargalo do programa: especialistas alertaram em julho que o entrave não é o juro subsidiado, mas a aprovação do crédito, já que a maioria dos motoristas chega negativada às financeiras, o que reduz as chances de contratação mesmo com a garantia do veículo.