Meio ambiente

Emissões de metano na Sibéria mais que dobram em uma década

Estudo aponta que projeção para 2050 pode comprometer 20% da meta global de redução do gás de efeito estufa
Geleira ártica com gelo azul se derretendo, representando as emissões de metano na Sibéria que dobram em uma década

Um estudo internacional publicado na revista Science revelou que as emissões de metano na vasta região da Sibéria, no norte da Rússia, mais que dobraram entre 2010 e 2023, avançando cerca de 5% ao ano.

O levantamento cruzou dados de satélites e medições atmosféricas ao longo do período e apontou o aumento das temperaturas como o principal motor por trás do salto nas emissões do gás.

Dois motores regionais impulsionam o gás

No oeste siberiano, o inverno mais quente antecipa o derretimento da neve. Com o solo exposto por mais tempo, a superfície aquece e retém mais umidade — condições que favorecem a liberação de metano nas extensas áreas alagadas da região.

Já no leste, o padrão é distinto. Períodos prolongados de calor e seca ressecam o solo e a vegetação, criando terreno fértil para incêndios florestais. Desde 2019, o estudo identificou um crescimento incomum tanto nas queimadas quanto nas emissões de metano associadas a elas.

A Sibéria concentra cerca de 46% de todo o permafrost do Hemisfério Norte, solo que permanece congelado por longos períodos e funciona como um imenso reservatório de carbono. Conforme ele descongela, microrganismos decompõem a matéria orgânica antes presa no gelo e liberam metano para a atmosfera.

O processo ilustra o ciclo de retroalimentaçãodocumentado nos polos: quanto mais o solo aquece, mais metano é liberado — e mais o clima se aquece.

Projeção preocupa cientistas

Segundo as projeções do estudo, caso a relação observada entre temperatura e emissões se mantenha, a Sibéria pode liberar até 25 milhões de toneladas adicionais de metano por ano em 2050, em um cenário de forte aquecimento.

Esse volume seria suficiente para comprometer cerca de 20% do corte global de emissões humanas de metano considerado necessário para manter o aquecimento do planeta dentro do limite de 1,5°C.

Para efeito de comparação, o total projetado para a Sibéria em 2050 se aproxima de tudo o que o Brasil, quinto maior emissor mundial, lançou na atmosfera em 2023.

Os próprios pesquisadores reconhecem incertezas sobre a magnitude futura do fenômeno. “As observações por satélite oferecem a única maneira prática de monitorar as emissões de metano na vasta e em grande parte inacessível paisagem da Sibéria, permitindo acompanhar mudanças que, de outra forma, seriam extremamente difíceis de detectar”, afirmou o pesquisador Palmer, um dos autores do estudo.

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