Meio ambiente

Jacutingas nascidas em cativeiro se preparam para soltura na natureza

Aves ameaçadas de extinção passam por adaptação em SP antes de retornar à Mata Atlântica
Jacutinga pousada em galho na Mata Atlântica, representando a soltura de jacutingas na natureza

Quatro jacutingas nascidas no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (PR), foram enviadas no início de agosto para São Francisco Xavier, no interior de São Paulo, onde vão se preparar para a soltura na natureza.

A iniciativa integra o Projeto Jacutinga, da SAVE Brasil, e busca reforçar a população da espécie na Mata Atlântica — ave classificada como Em Perigo de extinção no país.

Apoio logístico e histórico do programa

O transporte das aves até São Paulo foi feito de forma gratuita pela LATAM, por meio do programa Avião Solidário, com apoio da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). A soltura marca mais uma etapa de um trabalho que o Parque das Aves mantém desde 2017, quando passou a enviar jacutingas nascidas em cativeiro para remanescentes florestais paulistas — a instituição é referência na reprodução de espécies ameaçadas da Mata Atlântica.

A jacutinga (Aburria jacutinga) ocorre exclusivamente na Mata Atlântica e teve sua população reduzida pelo desmatamento histórico do bioma e pela caça. No Brasil, a espécie é classificada como Em Perigo de extinção; em São Paulo, avaliação estadual de 2018 elevou o status para Criticamente Em Perigo, o nível mais grave antes do desaparecimento.

O esforço se soma a outras iniciativas de recuperação da ave pelo país: desde 2023, um projeto no Espírito Santo já quadruplicou a população de jacutingas em cativeiro para reintroduzir a ave em estados onde ela está extinta há décadas.

Papel ecológico da espécie

Além de evitar a extinção da própria espécie, a presença da jacutinga cumpre função ecológica na floresta: a ave é uma importante dispersora de sementes, contribuindo para a regeneração e a manutenção da Mata Atlântica. A perda de aves frugívoras de grande porte compromete a capacidade da floresta de se regenerar naturalmente.

Antes de ganhar liberdade, as quatro aves passam por um período de adaptação em São Francisco Xavier, área de ocorrência natural da espécie, onde recebem treinamento comportamental voltado a aumentar as chances de sobrevivência fora do cativeiro.

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