O Brasil registrou alta de 6% nas emissões de metano entre 2019 e 2023, atingindo 21,1 milhões de toneladas em 2023, segundo o Observatório do Clima.
O país se tornou o quinto maior emissor mundial do gás, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia, e enfrenta desafios para cumprir metas climáticas.
Especialistas apontam a necessidade de acelerar medidas em setores como agropecuária, resíduos e combate ao desmatamento para conter o avanço do poluente.
Panorama das emissões e setores envolvidos
De acordo com o estudo do Observatório do Clima, as emissões brasileiras de metano cresceram 6% em quatro anos, chegando ao segundo maior nível da série histórica. O setor agropecuário lidera como maior fonte, respondendo por 75,6% do total em 2023, equivalente a 15,7 milhões de toneladas, sendo que a pecuária sozinha representa 98% desse volume. O setor de resíduos aparece em segundo lugar, com 3,1 milhões de toneladas, seguido pelas mudanças de uso da terra e florestas (1,33 milhão), setor de energia (0,55 milhão) e processos industriais (0,02 milhão).
O documento destaca que, mesmo com o aumento do rebanho, é possível reduzir emissões com práticas como melhoria da dieta animal, encurtamento do tempo de abate e uso de melhoramento genético. No setor de resíduos, o foco está na eliminação dos lixões até 2028, ampliação da coleta seletiva e reciclagem, além do aproveitamento do biogás para geração de energia.
O Inventário Brasileiro de Emissões não contabiliza queimadas em vegetação nativa, o que pode subestimar o impacto real das emissões. “Como só são contabilizadas as emissões por fogo associadas ao desmatamento, o estudo do SEEG mostra que essa lacuna precisa ser solucionada à medida que cresce a relevância do fogo como agente de degradação nos biomas brasileiros”, afirma Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.
Desafios, compromissos e perspectivas
O relatório do Observatório do Clima foi lançado como adendo à proposta de uma nova NDC apresentada em 2024, visando influenciar as negociações climáticas futuras. Apesar do aumento do metano, o Brasil registrou em 2023 a maior queda de emissões brutas de gases de efeito estufa em 15 anos, com redução de 12% em relação a 2022, totalizando 2,3 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente.
A publicação ocorre às vésperas da COP30, em Belém, e pressiona o governo a definir estratégias claras para redução do metano. O gás é considerado até 28 vezes mais potente que o CO₂ no aquecimento global em cem anos. O Brasil aderiu ao Compromisso Global do Metano em 2021, prometendo reduzir em 30% as emissões até 2030, mas ainda não apresentou plano concreto para atingir a meta.
Em 2022, relatório do Observatório do Clima indicou que, com políticas mais rigorosas no combate ao desmatamento, avanços no agro e melhorias no manejo de resíduos, seria possível cortar até 36% das emissões até 2030. “O OC tem mostrado tecnicamente que, para liderar a ambição climática mundial, o Brasil precisa focar em soluções de regeneração florestal, recuperação de solo e adoção de energias renováveis. Ao mesmo tempo, terá de reduzir as emissões de metano, lidando com a magnitude da atividade pecuária, a precariedade da gestão de resíduos sólidos e a pobreza energética”, afirma David Tsai, coordenador do SEEG.