O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) monitorava na sexta-feira (14) a possibilidade de uma onda de calor — e a ameaça se confirmou. O fenômeno começou neste sábado (15) e é o terceiro episódio do tipo em 2026, segundo a Climatempo. A onda atinge áreas de quatro regiões do Brasil até a quinta-feira (20), com temperaturas que podem chegar a 42°C no Centro-Oeste e em Tocantins, e entre 37°C e 39°C em diversas outras localidades.
Para o fenômeno ser confirmado, as máximas precisam ficar 5°C acima da média por cinco dias seguidos. A Climatempo prevê exatamente esse cenário para o período, provocado pelo fortalecimento de uma área de alta pressão atmosférica sobre o interior do país — sistema que bloqueia frentes frias e reduz a formação de nuvens, deixando o ar que já vinha quente aquecer ainda mais.
Ar seco derruba umidade a menos de 30% no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, uma massa de ar seco mantém o predomínio de sol em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e no centro-norte de Mato Grosso do Sul. Os termômetros podem ficar entre 3°C e 5°C acima da média para a época em algumas áreas, com possibilidade de máximas entre 40°C e 42°C em partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás durante o episódio.
Cuiabá (MT) pode chegar a 38°C neste sábado (15) e subir para 39°C no domingo (16). Goiânia (GO) também pode alcançar 37°C e Brasília (DF) deve ficar perto dos 31°C no sábado (15). Campo Grande (MS) deve registrar 33°C neste sábado e 34°C no domingo. Em grande parte de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e no norte e leste de Mato Grosso do Sul, a umidade relativa pode cair abaixo de 30% nas horas mais quentes — em pontos do centro de Goiás, a projeção chega a apenas 11%. Segundo a Climatempo, índices entre 12% e 20% também são esperados no Distrito Federal, demais estados do Centro-Oeste e em Tocantins, onde Palmas pode chegar a 38°C.
A Climatempo ainda aponta possibilidade de novos recordes de temperatura de 2026 em capitais como Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Palmas (TO), Porto Velho (RO) e Teresina (PI), todas com máximas elevadas ao longo do ano.
A situação lembra episódios recentes: a última onda de calor confirmada pelo Inmet, em setembro de 2025, levou os termômetros a ultrapassar 40°C em Cuiabá, Campo Grande e no interior paulista — exatamente as regiões monitoradas agora.
No interior de São Paulo, no Nordeste e em parte do Norte, a Climatempo também prevê tempo seco, com umidade entre 20% e 30% e possibilidade de índices entre 12% e 20% nos horários mais críticos. No norte e oeste de São Paulo, no Triângulo Mineiro e no noroeste de Minas Gerais, os termômetros podem chegar a 37°C a 39°C — valores semelhantes aos esperados no oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí, Tocantins, sul do Pará e Rondônia. O ressecamento do ar também avança pelo interior de Minas Gerais, Ceará e partes de Pernambuco e Paraíba, favorecendo problemas respiratórios e deixando a vegetação mais vulnerável ao fogo.
Enquanto o calor avança, o Sul enfrenta temporais
Na sexta-feira (14), áreas do Paraná, Santa Catarina e do norte do Rio Grande do Sul estiveram sob risco de chuva forte, trovoadas e rajadas de vento. Neste sábado (15), a instabilidade se concentra no centro-sul paranaense, em Santa Catarina e no centro-norte gaúcho, com risco de tempestades, chuva intensa, raios e rajadas de vento e possibilidade localizada de episódios mais severos. Os maiores acumulados durante o fim de semana devem se concentrar em Santa Catarina, onde os volumes podem superar 100 milímetros em alguns pontos do litoral.
A partir deste sábado (15), o norte e o oeste do Paraná entram na área de onda de calor, com máximas de 35°C a 37°C previstos. No oeste de Santa Catarina e no oeste e noroeste do Rio Grande do Sul, as temperaturas podem ficar entre 32°C e 34°C até segunda-feira (17). O alívio chega na quinta-feira (20) com a entrada de ar frio de origem polar em partes do Sul, de Mato Grosso do Sul, do oeste paulista e do sul de Mato Grosso.
No litoral do Sudeste, uma frente fria atuando principalmente sobre o oceano aumenta a nebulosidade e traz chuva a partes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, enquanto o interior desses estados permanece sob domínio do ar seco. Há possibilidade de chuva mais forte no Rio de Janeiro e de pancadas no litoral e leste paulista. O padrão não é inédito: em setembro de 2025, Goiânia já registrava umidade mínima de 12% e Cuiabá chegava a 40°C em episódio semelhante. A partir de domingo (16), as temperaturas voltam a subir rapidamente no Rio de Janeiro e no leste paulista, e o aquecimento no Espírito Santo ganha força a partir de segunda-feira (17).
No Nordeste, a chuva perde força e o sol predomina no interior, com pancadas restritas ao litoral — com possibilidade de chuva em Sergipe, Alagoas, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e pontos da Bahia. No Norte, o Amazonas tem pancadas e trovoadas, assim como Roraima, com risco de temporal em pontos do oeste amazonense; Acre, Rondônia e Amapá também registram chuva, enquanto Tocantins e o sudeste amazônico seguem secos e com temperaturas elevadas.