Política

Líderes religiosos pressionam STF contra afrouxamento ambiental

Mais de 30 entidades de fé diferentes pedem que ministros protejam licenciamento e direitos indígenas
Indígena com cocar em frente ao STF ao entardecer, simbolizando carta religiosa STF licenciamento ambiental

Mais de 30 organizações religiosas de diferentes tradições de fé enviaram uma carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (12), alertando para riscos de decisões que podem flexibilizar a proteção ambiental no país.

Assinado por entidades como CNBB, Aliança Evangélica, Movimento Laudato Si’, CONIB e Coletivo de Yas, o documento pede atenção redobrada a julgamentos sobre licenciamento ambiental, Marco Temporal e Moratória da Soja.

Um apelo ético além do debate jurídico

Intitulada “um apelo à consciência, à Constituição e à defesa da vida”, a carta busca somar uma camada moral aos processos que tramitam no Supremo. “Nossa manifestação não pretende substituir o debate jurídico. Ela pretende acrescentar a ele uma dimensão ética, moral e espiritual”, escrevem as lideranças religiosas, unidas pela convicção de que “a criação não pode ser tratada apenas como mercadoria”.

O texto mira diretamente as ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, sancionada em 2025, incluindo dispositivos como a Licença Ambiental Especial e o autolicenciamento. Para os signatários, ampliar hipóteses de dispensa de licença ou reduzir salvaguardas de avaliação prévia de impactos “significa aumentar riscos para toda a sociedade”.

As entidades também defendem os direitos originários dos povos indígenas diante do Marco Temporal, tese que restringe a demarcação de terras a áreas ocupadas até 1988. “A injustiça do passado não pode se transformar em critério jurídico para negar direitos no presente”, afirma o documento.

Moratória da Soja: decisão saiu antes de a carta repercutir

A carta também chama atenção às ADIs 7.774 e 7.775, que questionam leis de Mato Grosso e Rondônia que retiram benefícios fiscais de empresas participantes da Moratória da Soja — acordo privado de 2006 que veta a compra de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008. “Parece-nos contraditório que aqueles que voluntariamente decidem elevar seus padrões de responsabilidade ambiental possam sofrer consequências econômicas negativas exatamente por terem feito essa escolha”, diz o texto.

Na mesma quarta-feira em que a carta foi enviada, o STF validou a Moratória da Soja e encerrou a disputa que ameaçava o pacto ambiental, considerando constitucionais as duas leis estaduais contestadas — decisão anterior à repercussão do apelo religioso.

O caso do licenciamento, por sua vez, segue em aberto. A SBPC já havia classificado a proposta como o maior retrocesso ambiental desde a redemocratização quando o projeto tramitava no Congresso em 2025, mesmo ano em que a aprovação da nova lei gerou protestos em diversas capitais. As ADIs contra o texto seguem pendentes de julgamento no plenário do STF.

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