Meio ambiente

Inmet detecta aquecimento do Pacífico e alerta para El Niño em 2026

NOAA estima 82% de probabilidade de formação até julho; Sul terá mais chuvas e Norte e Nordeste enfrentam seca
Representação térmica do El Niño 2026 previsão Brasil: anomalias em vermelho no Pacífico

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta nesta semana sobre o fortalecimento dos sinais de formação de um novo El Niño no Oceano Pacífico, com base em dados que apontam aquecimento acelerado das águas equatoriais ao longo de maio e junho.

A temperatura na região Niño 3.4 — principal termômetro do fenômeno — subiu de 0,49 °C acima da média em maio para 0,7 °C na primeira semana de junho, indicando uma transição que preocupa meteorologistas brasileiros e internacionais.

A agência americana NOAA calcula em 82% a probabilidade de o El Niño se estabelecer já no trimestre maio-julho de 2026, com 96% de chance de persistência até o verão do Hemisfério Sul.

Aquecimento avança além do principal ponto de monitoramento

Os dados semanais mais recentes da NOAA mostram que o aquecimento não se limita à região Niño 3.4. Na região Niño 3, a anomalia já chega a 1 °C acima da média. Na Niño 1+2, a mais próxima da costa sul-americana, o aquecimento atinge 2,1 °C — sinal de que o fenômeno começa a se aproximar geograficamente do continente.

O Inmet informou que publicará até o fim desta semana uma nova nota técnica com os dados mais atualizados sobre a previsão do fenômeno. O diagnóstico do órgão brasileiro está alinhado ao do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, referência mundial no monitoramento do clima.

O que o El Niño faz no Brasil

Historicamente, o El Niño provoca efeitos opostos nas diferentes regiões do país. No Sul, o fenômeno intensifica as chuvas e eleva o risco de enchentes. No Norte e no Nordeste, o resultado costuma ser o inverso: estiagem prolongada, secas e redução da disponibilidade hídrica.

O fenômeno é marcado pelo aquecimento igual ou superior a 0,5 °C das águas do Pacífico equatorial e costuma ocorrer a cada dois a sete anos, com duração média de doze meses. Seu oposto, a La Niña, representa o resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária.

Na semana passada, após a OMM confirmar 80% de probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto, o governo federal criou um gabinete de crise para coordenar respostas preventivas em todo o território nacional.

Episódios moderados em mundo aquecido geram riscos maiores

Especialistas alertam que, desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem acelerando as mudanças no padrão climático global — e que o contexto atual é distinto do passado. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, mesmo eventos classificados como fracos ou moderados tendem a gerar efeitos mais intensos, incluindo ondas de calor, secas severas e enchentes fora de época.

O risco de períodos prolongados de calor é apontado como um dos principais efeitos esperados para a primavera e o verão de 2026-2027, caso o fenômeno se confirme com a intensidade que os dados atuais sugerem.

A escalada dos sinais reacende um alerta estrutural: o Brasil segue sem uma política permanente de adaptação climática, mesmo com o padrão de chuvas no Sul e seca no Nordeste que se repetiu de forma severa em 2024.

A probabilidade de 82% estimada pela NOAA para o trimestre maio-julho — referenciada agora pelo Inmet — já havia sido destacada em nota técnica do Cemaden ao governo federal, que sinalizou o risco de um episódio forte ou muito forte para 2026 e 2027.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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