O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) interrompeu parte da logística de exportação de café do país, terceiro maior produtor mundial da bebida, atrás de Brasil e Vietnã.
Bloqueios e deslizamentos nas estradas que ligam o interior ao porto de Buenaventura, por onde passam mais de 60% dos embarques colombianos, dificultam a saída do café e ameaçam atrasar entregas a compradores internacionais.
A preocupação já pressiona os preços: o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% nesta terça-feira (11) na Bolsa de Nova York, a cerca de US$ 3,34 por libra-peso.
Buenaventura concentra o gargalo da exportação
Em entrevista ao jornal colombiano El Colombiano, o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), Gustavo Gómez, afirmou que mais de 60% das exportações do grão passam por Buenaventura. Com as estradas bloqueadas, a via não está habilitada para veículos de comércio exterior, e as cargas do interior não conseguem chegar ao terminal.
O terremoto atingiu ainda parte da estrutura de processamento do café, concentrada em Manizales, Pereira e Armenia — o chamado Eixo Cafeeiro — além de Cartago, no Valle del Cauca. Mesmo regiões produtoras com menos danos, como Huila, Tolima, Cauca e Nariño, enfrentam falta de caminhões para levar a produção a portos alternativos.
Estimativa é uma projeção, não um volume confirmado
Não há estimativa oficial de quanto café está parado. A Asoexport calculou que, se as restrições persistirem por uma semana, o volume represado — cerca de 250 mil das 1 milhão de sacas exportadas mensalmente pelo país — poderia equivaler a mais de 600 veículos e 1.000 contêineres. O número dimensiona o gargalo, mas não confirma que esse volume já esteja parado.
A situação se soma a um cenário já apertado: em março, a Colômbia já registrava queda de 33,8% em seus embarques de café arábica suave, dificuldade de abastecimento que o terremoto agora aprofunda em um mercado global de oferta limitada.
Exportadores buscam rotas alternativas no Caribe
Com Buenaventura comprometido, exportadores avaliam alternativas como Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Segundo a Asoexport, operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais, mas a mudança de rota não resolve o problema sozinha: falta de caminhões e bloqueios em vias como a Letras-Fresno-Manizales também afetam o transporte até os portos do Caribe.
A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte, usando os portos do Caribe enquanto for necessário e retomando gradualmente as operações por Buenaventura.
Enquanto isso, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) levanta danos em Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío. Só no Quindío, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas. José Martín Vásquez Arenas, diretor-executivo do Comitê de Cafeicultores do Quindío, disse que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar as propriedades — comitês e armazéns de Filandia, Buenavista e Montenegro chegaram a fechar por segurança e reabriram nesta quarta-feira (12).
O cenário de estoques baixos não é novo: a colheita brasileira de 2025 já havia terminado com produção limitada por adversidades climáticas, fragilidade de oferta que agora se soma ao impacto do terremoto colombiano. Se a interrupção persistir, exportadores alertam que compradores internacionais podem sofrer atrasos — e a própria compra do café dos agricultores pode ser prejudicada.