A colheita do café no Brasil foi concluída com produção limitada devido a condições climáticas adversas. O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre o produto brasileiro trouxe ainda mais instabilidade ao mercado interno.
Segundo o Cepea, os preços do café robusta subiram 43% em agosto, enquanto o arábica teve alta de 26,3%. O setor enfrenta incertezas quanto ao redirecionamento de exportações e à reação dos mercados internacionais.
Impactos do clima e das tarifas
O ciclo de produção do café brasileiro foi prejudicado por períodos de seca e geadas, o que reduziu o volume colhido e afetou a qualidade dos grãos. A safra do café robusta já se encerrou, com preços em alta: o indicador Cepea/Esalq apontou aumento de 43% até 25 de agosto na praça do Espírito Santo, com a saca de 60 quilos fechando em R$ 1.469,43. Para o café arábica, as atividades de campo estão praticamente finalizadas e o indicador Cepea/Esaq em São Paulo subiu 26,3% em agosto, chegando a R$ 2.287,56 a saca.
O tarifaço dos Estados Unidos sobre o café brasileiro, em vigor desde 6 de agosto, ampliou a volatilidade dos preços internos. Os EUA, principal destino das exportações, impuseram tarifa de 50%, forçando o setor a buscar alternativas comerciais. O presidente Donald Trump assinou decreto elevando em 40 pontos percentuais a alíquota sobre produtos brasileiros, com exceções para segmentos estratégicos.
Mercado e exportações
Em 2024, o Brasil respondeu por 23% do café importado pelos EUA, seguido por Colômbia (17%) e Vietnã (4%), segundo a USITC. No segmento arábica, a Colômbia permanece isenta da tarifa, enquanto o Vietnã negocia alíquota reduzida para o robusta. Pesquisadores do Cepea alertam que a medida afeta a competitividade do café brasileiro e pode impactar os preços ao consumidor norte-americano, além de alterar blends tradicionais.
Desafios e perspectivas para o setor cafeeiro
O setor cafeeiro brasileiro enfrenta incertezas diante da necessidade de redirecionar parte da produção a outros mercados, exigindo agilidade logística e estratégia comercial. Os preços domésticos acompanham as oscilações das bolsas de Nova York e Londres, impulsionados por movimentos especulativos de fundos. O Cepea destaca que, até o momento, não há indícios de queda nos valores internos exclusivamente devido à tarifa.
No curto prazo, a safra 2024/25 garantiu boa capitalização aos produtores, mas a comercialização da safra 2025/26 avança lentamente, pois muitos aguardam definições sobre o cenário tarifário antes de negociar volumes maiores. O impacto estrutural da tarifa preocupa, já que os EUA não produzem café e a elevação do custo de importação afeta toda a cadeia, incluindo torrefadoras, cafeterias e redes de varejo.
Renato Ribeiro, pesquisador do Cepea, defende que a exclusão do café do pacote tarifário é estratégica para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira e a estabilidade do abastecimento norte-americano. Persistem incertezas também quanto às importações brasileiras de frutas frescas, diante do novo contexto global.