O Irã deve se tornar membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco criado pelos países do Brics, segundo anúncio feito nesta quarta-feira (12) pelo presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati.
O anúncio ocorreu durante reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do Brics na Índia, país que preside o bloco em 2026.
Fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e presidido por Dilma Rousseff, o NDB financia projetos de infraestrutura em economias emergentes.
Fundado em 2014, durante a Cúpula do Brics em Fortaleza, e estabelecido oficialmente em 2015, o NDB tem sede em Xangai, na China, e financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países emergentes. A instituição atua como alternativa a fontes tradicionais de crédito, como o Banco Mundial, e é hoje presidida pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.
Sanções e busca por alternativas ao dólar
O Irã integra o Brics desde 2024 e, segundo a Reuters, vê no banco uma via para driblar as amplas sanções impostas pelos Estados Unidos, que restringem seu acesso ao sistema financeiro internacional. A entrada no NDB deve abrir novos canais de crédito para Teerã, em um momento em que os países do bloco também discutem ampliar o uso de moedas nacionais nas transações entre seus membros, reduzindo a dependência do dólar.
A aproximação acontece, no entanto, em um momento delicado para o grupo. Em março deste ano, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel dividiu os Brics e impediu que o bloco chegasse a uma declaração conjunta, com Brasil, Rússia e China condenando a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram postura mais crítica às retaliações iranianas contra países do Golfo.
O episódio contrasta com a resposta do bloco à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, em 2025, quando o Brasil ocupava a presidência rotativa do Brics e os dez países divulgaram declaração conjunta condenando os ataques e defendendo o diálogo.
O interesse iraniano no NDB reforça o papel do banco como peça central da estratégia do bloco para reduzir a dependência de instituições ocidentais. Até 2025, o Novo Banco de Desenvolvimento já havia aprovado mais de US$ 39 bilhões em financiamentos para projetos de infraestrutura, consolidando-se como alternativa ao Banco Mundial. A adesão do Irã, se confirmada, deve ampliar a carteira de países atendidos pela instituição, mantendo o crescimento do bloco mesmo em meio às divergências geopolíticas expostas nos últimos meses.