Economia

Brasil recua 16,8% no café arábica enquanto robusta bate recorde mundial

Vietnã puxa expansão da variedade mais usada em solúvel; OIC aponta crescimento global de 0,8% nas exportações de março
Retrato visual do contraste entre Brasil e Vietnã, simbolizando transformação das exportações de café arábica brasil

As exportações brasileiras de café arábica natural recuaram 16,8% em março, totalizando 2,71 milhões de sacas de 60 quilos, segundo a Organização Internacional do Café (OIC). O relatório foi divulgado nesta terça-feira (19).

No mesmo período, o café robusta registrou desempenho recorde no mercado global, puxado por um avanço expressivo do Vietnã — aprofundando o contraste entre as duas principais variedades comercializadas internacionalmente.

Robusta em alta histórica, arábica em compasso desigual

As exportações globais de café verde — grão não torrado negociado entre países — cresceram 0,8% em março na comparação anual, alcançando 11,7 milhões de sacas de 60 quilos, segundo a OIC.

O principal motor do avanço foi o café robusta, que atingiu recorde histórico de 5,52 milhões de sacas, expansão de 24% frente ao mesmo mês de 2025. O Vietnã, maior produtor mundial da variedade, respondeu pelo impulso mais expressivo, com crescimento de 30,3% nos embarques. A variedade domina a produção de cafés solúveis e blends industriais, segmentos com demanda crescente em mercados asiáticos e europeus.

Brasil supera Colômbia mesmo em queda

Apesar do recuo de 16,8%, o Brasil exportou 2,71 milhões de sacas de arábica natural em março — volume significativamente acima do registrado pela Colômbia no segmento de arábicas suaves. O país andino embarcou apenas 880 mil sacas, queda de 33,8%, em meio a dificuldades de abastecimento interno.

Países da América Central agrupados na categoria “outros suaves” — como Honduras, Guatemala e Nicarágua — registraram alta de 0,9%, totalizando 2,59 milhões de sacas no período.

O recuo nos embarques brasileiros ocorre justamente no mês em que o acordo UE-Mercosul entrou em vigor, abrindo caminho para a zeragem gradual das tarifas sobre café solúvel e torrado brasileiro na Europa até 2030. O alívio comercial pode ganhar relevância à medida que o Brasil busca reequilibrar seu desempenho exportador no segmento.

O café arábica natural figura entre as especialidades de maior valor agregado no portfólio exportador brasileiro, amplamente consumido em cafés de qualidade superior ao redor do mundo. A queda em março contrasta com o avanço estrutural do robusta no mercado global, sinalizando uma possível reconfiguração nas preferências de importadores e torrefadoras internacionais.

O Brasil mantém posição entre os maiores exportadores mundiais de café, mas o resultado de março reforça o desafio de sustentar competitividade frente à expansão acelerada do Vietnã e de outros produtores de robusta. A diversificação de mercados e o posicionamento em nichos de maior valor devem ganhar peso na agenda do setor.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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