Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (12) pela Serasa Experian.
O avanço foi puxado pelo salto de 73,5% nas solicitações de produtores que atuam como pessoa jurídica, reflexo do aumento das dívidas e dos custos de produção no campo.
Mato Grosso concentra maior número de casos
Principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, o Mato Grosso liderou os pedidos entre os Estados, com 135 registros. Na sequência aparecem Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), também importantes polos de produção agrícola.
Entre as atividades, o cultivo de soja concentrou o maior volume, com 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42 solicitações.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram registrados 408 pedidos, o indicador também mostrou alta. Ainda assim, o total do primeiro trimestre ficou abaixo do pico do terceiro trimestre do ano passado, quando o setor somou 628 solicitações — patamar que consolidou o recorde histórico de 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro em 2025, alta de 56,4% sobre 2024.
Para a Serasa Experian, a evolução do cenário até o fim do ano depende da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação das dívidas. "Renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso", afirma o relatório da empresa.
Pessoa física recua enquanto pessoa jurídica dispara
Os pedidos de produtores rurais pessoa jurídica somaram 196 no trimestre, avanço de 73,5% e o maior entre os três perfis analisados pela Serasa. Já o segmento de pessoa física somou 182 solicitações, queda de 6,7% frente ao primeiro trimestre de 2025.
Dentro desse grupo, produtores classificados como "sem propriedades" — categoria que pode incluir arrendatários — concentraram 60 pedidos. Pequenos proprietários somaram 44, grandes produtores, 41, e médios, 37.
O movimento acompanha um quadro de deterioração financeira mais amplo no campo. A inadimplência rural fechou 2025 em 8,2%, com a taxa agrícola do Banco do Brasil saltando de 2,76% para 6,22% em apenas doze meses. Em setembro de 2025, o ministro Haddad já havia revelado que a Fazenda investigava um possível abuso no uso da recuperação judicial em setores específicos, apontando os juros elevados como fator agravante.