Lula e Flávio Bolsonaro, os dois pré-candidatos à Presidência mais bem avaliados nas pesquisas, miram alvos institucionais opostos na corrida a 2026: o presidente ataca o Congresso, o senador intensifica ataques ao STF.
O programa de governo de Lula, protocolado no TSE, classifica as emendas parlamentares como uma “grave distorção” no orçamento e condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação de uma PEC parada no Senado.
Já Flávio classificou como “desumana” a decisão de Alexandre de Moraes que negou sua visita a Jair Bolsonaro no Dia dos Pais, em mais um capítulo da cruzada bolsonarista contra o STF.
Emendas definidas como “distorção” no orçamento
No programa protocolado no TSE, Lula afirma que vai enfrentar o atual sistema de emendas parlamentares caso seja reeleito. O texto descreve as emendas impositivas e o chamado orçamento secreto como mecanismos que “sequestram o orçamento público, dispersam os recursos e reduzem a eficiência alocativa”.
O documento também condiciona a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da PEC da Segurança, já aprovada na Câmara mas travada no Senado sob comando de Davi Alcolumbre (União-AP) — o mesmo Alcolumbre que, em 2025 foi ao STF ao lado de Hugo Motta defender as emendas impositivas que Lula agora quer rever. O programa prevê ainda negociação por outra PEC parada na Casa, a que extingue a escala de trabalho 6×1.
Apesar do tom crítico, o texto reconhece que o governo atuou “em conjunto com o Congresso” nos últimos quatro anos — discurso mais moderado que o de 2025, quando a derrubada do decreto do IOF pelo Legislativo gerou um embate “nós contra eles” que incomodou a cúpula do Congresso e levou parlamentares do Centrão a associar a postura a uma imagem de candidato antissistema para Lula.
Flávio soma mais um capítulo à cruzada contra o STF
No domingo (9), Flávio publicou um vídeo em que aparece escrevendo e lendo uma carta ao pai, chorando ao classificar como “desumana, insana e injusta” a decisão de Alexandre de Moraes de manter suspensas as visitas a Jair Bolsonaro mesmo no Dia dos Pais. O ministro baseou a negativa em decisão anterior que já restringia encontros, ressalvadas as visitas médicas, fisioterapêuticas e de advogados.
Em evento em Itapetininga (SP), o senador afirmou que, se eleito, indicará para a Corte ministros que “respeitem a Constituição, não usem a máquina pública para enriquecer e respeitem o dinheiro do contribuinte”. A fala reforça uma retórica que em junho já havia levado Flávio a comparar o STF a uma “delegacia” e a culpar o tribunal por afastar investimentos do país, retórica que também marcou o discurso de lançamento de sua candidatura, no Pacaembu, quando o pai também esteve impedido de comparecer.
Nesta terça-feira (11), Flávio deve intensificar a articulação com candidatos ao Senado alinhados à direita, em reunião prevista em Brasília. O interesse pela disputa da Casa cresceu entre bolsonaristas porque o Senado tem a prerrogativa exclusiva de abrir processos de impeachment contra ministros do STF.