Política

Áudios com voz de Lula e Flávio pedem voto no WhatsApp na véspera do 1º turno

Gravações atribuídas aos dois candidatos repetem números de urna, atacam adversários e pedem repasse para listas de contatos
Ícone do WhatsApp simboliza os áudios de campanha no WhatsApp investigados pelo TSE antes da eleição

Na véspera do 1º turno, a disputa presidencial desceu para os grupos de WhatsApp. Áudios atribuídos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL) começaram a circular no sábado, 3 de outubro, pedindo voto e falando diretamente ao eleitor.

As gravações, reunidas em levantamento do Poder360, repetem os números das duas candidaturas — 13 e 22 — e misturam apelo emocional com ataque ao adversário. Uma delas pede de forma explícita que quem recebe repasse a mensagem para toda a lista de contatos.

O que dizem as gravações

No áudio atribuído a Lula, a eleição é apresentada como escolha entre dois projetos. A voz pede voto no 13 e associa o adversário a escândalos: “Ou você escolhe votar em alguém que se preocupou com a educação nesse país, com o emprego, com o desenvolvimento econômico (…) ou alguém que criou a quadrilha da Previdência, alguém que criou a quadrilha do Banco Master”, diz a mensagem, que ainda afirma que o oponente “preferiu vender armas ao invés de distribuir livros”.

A gravação atribuída a Flávio trabalha com urgência e com a pauta do Supremo Tribunal Federal. “Faltam poucas horas para o Brasil mudar de direção. Bora resolver já no 1º turno”, diz o áudio, que fala em “amigos do Lula no STF tentando interferir nas eleições” e levanta a hipótese de o petista indicar mais quatro ministros à Corte. O trecho termina com uma instrução de distribuição: “Senta o dedo e encaminhe essa mensagem para toda a sua lista de contatos”.

Nenhuma das duas gravações teve a autenticidade confirmada, e a dúvida sobre a origem desse tipo de material já chegou à Justiça Eleitoral nesta campanha: em julho, o PT acionou o TSE contra Flávio por um vídeo com a voz de Jair Bolsonaro gerada por inteligência artificial.

Reta final também foi nas ruas

Enquanto os áudios se espalhavam pelos celulares, os dois candidatos cumpriram atos presenciais de encerramento no sábado. Lula fez uma caminhada de cerca de 1,8 km pelo centro de São Paulo, da esquina da avenida Paulista com a rua Augusta até a praça Roosevelt, ao lado de integrantes da chapa do PT no Estado. O ato começou por volta das 11h30.

Flávio escolheu a zona oeste do Rio de Janeiro para fechar a campanha de rua, em uma moto-carreata que saiu de Campo Grande em direção a Bangu, acompanhado do candidato ao governo do Estado, Douglas Ruas (PL), e do candidato ao Senado, Carlos Jordy (PL). A concentração estava marcada para as 15h, mas o deslocamento só avançou depois das 16h.

A circulação dos áudios fecha um ciclo de campanha em que os dois lados testaram os limites das regras de propaganda. Em agosto, Lula e Flávio já haviam feito pedidos de voto antes do prazo legal, em convenções de seus partidos.