Alfredo Gaspar (PL-AL), cotado a vice de Flávio Bolsonaro, acionou a Polícia Legislativa Federal em abril após ser procurado por um comerciante que relatou um suposto esquema armado por aliados de Lindbergh Farias (PT-RJ) para forjar uma denúncia de estupro contra ele.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, e nesta segunda-feira (10) Lindbergh entrou na Corte pedindo a suspensão e a nulidade da investigação. Ele nega qualquer participação no esquema.
O depoimento do comerciante
Segundo boletim de ocorrência registrado por Gaspar em 14 de abril, o comerciante Luiz Antônio Lopes procurou o deputado para relatar o que teria presenciado em um quiosque de sua propriedade, dentro de um shopping no Rio de Janeiro. Ele afirmou ter percebido a movimentação de um grupo ligado a Lindbergh Farias e soube, por um terceiro, que se tratava da preparação de uma entrevista falsa para acusar Gaspar de estupro.
Ouvido pela Polícia Legislativa em 23 de abril, Lopes disse que uma jovem do grupo, que teria conquistado sua confiança, relatou receber entre R$ 2 mil e R$ 10 mil para sustentar a farsa. Ele também citou um suposto assessor de Lindbergh identificado apenas como Lucas — nome que a TV Globo não localizou entre os contratados do gabinete do deputado. Lopes é filiado ao PL desde 30 de abril, sete dias após prestar depoimento à Polícia Legislativa.
Da CPMI do INSS à disputa presidencial
O atrito entre os dois deputados remonta à CPMI do INSS, comissão da qual Gaspar era relator e chegou a pedir a prisão preventiva de Lulinha ao Senado. Durante uma sessão do colegiado, Lindbergh chamou Gaspar de "estuprador"; o alagoano revidou chamando o petista de bandido. Gaspar já havia acionado a Justiça contra Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) por divulgar informações que considera falsas sobre o episódio.
Paralelamente, a Polícia Federal recebeu pedido de abertura de inquérito para investigar Gaspar por suspeita de estupro de vulnerável, mas o procedimento ainda não foi instaurado: a PGR pediu informações complementares antes de decidir, e a relatoria no STF ficou com o ministro Gilmar Mendes. A denúncia de farsa ganha ainda mais peso porque veio à tona pouco depois de Gaspar ser confirmado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, em 5 de agosto. Ex-promotor de Justiça, ele foi procurador-geral do Ministério Público e secretário de Segurança Pública de Alagoas antes de se eleger deputado federal em 2022.