O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou no domingo (9/8) que desacreditar o sistema de votação equivale a afastar o eleitor das urnas.
A declaração foi dada durante a Corrida Pela Democracia, no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília, evento que encerrou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação.
Diálogo com plataformas contra deepfakes
Questionado sobre como o TSE vai enfrentar a desinformação em torno do sistema eletrônico de votação, Nunes Marques disse que não cabe ao tribunal responder a cada boato isoladamente. Segundo ele, o esforço deve se concentrar em fortalecer a segurança cibernética do sistema e levar essa informação a toda a sociedade brasileira.
Sobre o uso de deepfakes e inteligência artificial para simular falsamente a fala de candidatos nas redes sociais, o ministro afirmou que já mantém diálogo com as plataformas de internet para conter esse tipo de conteúdo antes que ele se espalhe.
Nunes Marques também lembrou que o tribunal criou, na semana passada, um conselho consultivo sobre Integridade Informacional nas Eleições 2026, que vai assessorar a Presidência da Corte em ações de proteção à legitimidade do processo eleitoral. O colegiado reunirá especialistas em IA, segurança pública e comunicação para acompanhar o tribunal até dezembro.
Entre os boatos que o TSE vem desmentindo está a afirmação, que circulou nas redes sociais, de que o tribunal adotaria um novo modelo de urna eletrônica já nas eleições deste ano. A Corte esclareceu que isso é falso: há um edital aberto para receber sugestões de empresas e fabricantes para o desenvolvimento da UE2028, modelo que será adquirido e utilizado a partir das eleições municipais de 2028. Os equipamentos de 2026 são os modelos já em uso, com as mesmas características técnicas internas.
Pressão do STF motivou mobilização do TSE
O encontro no autódromo marcou o fechamento de uma agenda iniciada na segunda-feira (3/8), quando o TSE lançou a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação em resposta às cobranças de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por uma postura mais firme do tribunal eleitoral na defesa das urnas.
A ofensiva ganhou força depois que ministros do STF e do próprio TSE pressionaram Nunes Marques a reagir com mais firmeza à missão de observadores dos Estados Unidos que questionou publicamente a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Desde então, o tribunal intensificou a série de ações voltadas a reforçar a confiança da população nas urnas eletrônicas.
Para as eleições de 2026, o TSE já credenciou observadores internacionais de diferentes regiões do mundo, entre eles representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União Europeia (UE), da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e da Rede dos Organismos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).