Política

Cobrado pelo STF, Nunes Marques sai em defesa da urna eletrônica

TSE promove semana de transparência sobre as urnas após pressão de ministros do Supremo
Nunes Marques defende urna eletrônica em discurso com toga judicial, tendo o TSE como pano de fundo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, afirmou nesta segunda-feira (3) que a urna eletrônica é patrimônio da democracia brasileira.

A fala reforça a posição do tribunal diante da cobrança feita por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que pedem uma defesa mais enfática contra os ataques da família Bolsonaro ao sistema de votação.

Para isso, o TSE lançou nesta segunda a Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, com demonstrações públicas e atividades educativas em todo o país.

Ataques da família Bolsonaro motivaram resposta do TSE

Em nota, Nunes Marques disse que “o objetivo é ampliar o conhecimento da sociedade acerca das diversas etapas do processo eleitoral e reafirmar, por meio da transparência, da informação qualificada e da participação cidadã, a robustez, auditabilidade e a permanente evolução tecnológica” do sistema eleitoral.

A reação do tribunal vem na esteira dos ataques do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que no mês passado repetiu a diplomatas de quase 50 países a acusação de que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das máquinas da Smartmatic, usadas em eleições questionadas na Venezuela. O TSE já havia desmentido publicamente que utilize equipamentos da empresa, esclarecimento reforçado em nota atualizada em 8 de julho.

Flávio citou ainda um suposto relatório da CIA sobre fraudes no processo eleitoral venezuelano para sugerir vulnerabilidades no sistema brasileiro, sem apresentar provas de que as urnas nacionais compartilhem tecnologia com as questionadas no país vizinho.

Ministros do Supremo cobravam discurso mais duro

Segundo apurou o Tropiquim, ministros do STF vinham pressionando Nunes Marques por uma postura mais incisiva diante da tentativa de setores ligados ao governo americano de questionar a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.

Apesar do tom combativo dos aliados de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou neste domingo que vai aceitar o resultado das eleições de outubro e disse confiar na atuação imparcial do TSE no pleito.

Nesta segunda, o tribunal promoveu a primeira abertura pública de uma urna eletrônica para estudantes do ensino médio do Distrito Federal, ação que integra a programação da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, organizada em parceria com os Tribunais Regionais Eleitorais de todo o país.

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