Política

Ministros do STF cobram resposta dura do TSE à missão dos EUA nas urnas

Magistrados consideram nota do TSE fraca diante da crise diplomática com Washington
Ministro do STF cobra resposta dura do TSE sobre missão dos EUA urnas eleitorais em meio à crise diplomática

Ministros do STF e do TSE pressionam o presidente do TSE, Nunes Marques, a endurecer o discurso contra os ataques às urnas eletrônicas e contra a missão dos Estados Unidos que pretendia questionar o sistema eleitoral brasileiro.

A cobrança ocorre depois que o Itamaraty negou vistos a dois assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, episódio que irritou magistrados das duas Cortes.

Segundo o jornal americano The Washington Post, dois funcionários de alto escalão do Departamento de Estado viriam ao Brasil para levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral. A missão havia sido revelada dias antes pelo mesmo veículo, que apontou os diplomatas Riley Barnes e Samuel Samson como responsáveis pela estratégia de questionar a integridade das urnas.

Os dois pediram audiência com Nunes Marques, mas o encontro não foi agendado por causa do recesso do Judiciário. Antes do recesso, o presidente do TSE já havia se reunido com 25 embaixadores para explicar o funcionamento das urnas eletrônicas, encontro que deve se repetir em agosto.

Nota considerada fraca

Ministros das duas Cortes avaliam que a nota divulgada pela equipe de Nunes Marques foi tímida e não refletiu a gravidade do momento. A expectativa recai agora sobre a reunião com embaixadores marcada para depois do recesso, quando o presidente do TSE deve reforçar o tom da resposta.

Mesmo sem a audiência confirmada, os dois diplomatas mantiveram a viagem ao Brasil para encontros com lideranças políticas e religiosas. Ambos são descritos como jovens ligados à extrema direita, e um deles já havia sido enviado a outros países para apoiar candidaturas de direita e tentar influenciar processos eleitorais locais.

Horas depois da negativa de vistos pelo Itamaraty, o Departamento de Estado americano classificou a viagem como uma visita de rotina e negou qualquer intenção de interferir nas eleições brasileiras. A versão, no entanto, não foi suficiente para conter o desconforto entre ministros do STF e do TSE.

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