A JBS firmou nesta sexta-feira (7) uma parceria estratégica com o Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, para acelerar sua expansão na Ásia e Oceania. A operação pode movimentar até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões).
Pelo acordo, o fundo indonésio compra 25% das operações da JBS na Austrália e na Nova Zelândia por US$ 2,5 bilhões. A nova empresa formada pelas partes ainda pretende captar outros US$ 2,5 bilhões em empréstimos no mercado internacional.
Como fica a nova operação conjunta
A joint venture entre a JBS e o Danantara vai concentrar recursos para financiar aquisições, projetos greenfield (construídos do zero) e outras oportunidades de crescimento na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e demais mercados do Sudeste Asiático. Atualmente, a JBS produz no território australiano carne bovina, suína e ovina, além de pescado e alimentos preparados.
As duas empresas acertaram um período de cinco anos de lock-up, durante o qual se comprometem a manter suas participações na nova sociedade. JBS e Danantara também manifestaram a intenção de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) do veículo criado especialmente para essa parceria.
Próximos passos do negócio
A conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias na Austrália e do cumprimento das condições usuais para esse tipo de transação, segundo informou a JBS. Não há, até o momento, prazo definido para a finalização do acordo.
Expansão internacional contrasta com passivos no Brasil
O avanço da JBS sobre novos mercados asiáticos ocorre em meio a episódios que colocam a empresa sob escrutínio em território nacional. A companhia que agora anuncia uma expansão bilionária na Ásia enfrenta, no Brasil, uma ação do Ministério Público do Trabalho pedindo R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão na cadeia de fornecedores no Pará.
Caso avance conforme planejado, o acordo com o Danantara deve reforçar a presença da JBS fora do continente americano e ampliar sua exposição a capital soberano estrangeiro, um movimento que tende a ser acompanhado de perto por investidores e reguladores nos próximos meses.