Pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos que a inflação em 2026, aponta levantamento da consultoria Bright Consulting.
O recuo real de 1,5% nos preços dos veículos zero km ocorre em meio à ofensiva de montadoras chinesas no país, que ampliou a concorrência e pressionou as marcas tradicionais a cortar margens.
Nesta quarta-feira (5), a Chery International confirmou a chegada ao Brasil das marcas iCAUR e Lepas, em 2027, e das grifes de luxo Luxeed e Freelander, em 2028, elevando para sete o total de marcas chinesas anunciadas no país até o fim da década.
Sete marcas, uma escala global
Segundo o cronograma apresentado pela Chery International, que já opera a Omoda & Jaecco no Brasil, os modelos da iCAUR e da Lepas começam a ser vendidos em 2027. Um ano depois, chegam as marcas de luxo Luxeed e Freelander, que vão operar sob a bandeira Exeed.
A iCAUR aposta em SUVs de linhas quadradas, com inspiração declarada em modelos da Land Rover. O primeiro carro da marca no Brasil será o V27, que usa a tecnologia REEV: a propulsão é elétrica e o motor a combustão serve apenas para recarregar as baterias. A marca também confirmou a venda do V23, um utilitário 100% elétrico, além dos modelos V25 e V29.
Já a Lepas mira SUVs de linhas mais tradicionais. O nome da marca une as palavras em inglês leap (saltar), passion (paixão) e leopard (leopardo). Para 2026, o grupo Chery projeta ultrapassar 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês no Brasil — e mira 1 mil lojas e 500 mil unidades vendidas por ano até 2031.
Outras montadoras chinesas seguem o mesmo movimento. A Dongfeng confirmou que vai operar no país sob a sigla DFM, já com 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários em 21 estados e no Distrito Federal, segundo o executivo Felipe Amaral de Souza. A IM, divisão de luxo da MG — hoje controlada pela chinesa SAIC —, também deve desembarcar no país.
Por que o carro ficou mais barato
De acordo com a Bright Consulting, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% em 2026 e chegou a R$ 166,9 mil — nominalmente, abaixo dos 3,18% da inflação acumulada no período e bem distante do reajuste de 5,5% registrado no ano anterior.
O sócio da consultoria, Cássio Pagliarini, afirma que a queda fica ainda mais evidente no balcão da concessionária: o preço de transação, efetivamente pago pelo consumidor, recuou 3,5% e passou de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.
Para Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam da escala de produção em seu país de origem, onde mais de 140 marcas disputam espaço em um mercado com demanda enfraquecida. A verticalização da produção, incluindo a fabricação própria de baterias, também reduz custos e elimina margens de intermediários.
Apesar da queda nos preços, o crédito ainda trava o avanço das vendas: as taxas de financiamento veicular variam entre 18% e 22% ao ano, e o setor só espera folga com a queda da Selic, hoje em 14,25%. Nos bastidores, a Chery avalia instalar uma fábrica no Brasil e já testa a integração regional após lançar a Omoda & Jaecco na Argentina.