Negócios

Alliança Saúde pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,1 bi em dívidas

Justiça autoriza recuperação extrajudicial da Alliança Saúde, que busca renegociar R$ 1,1 bilhão em dívidas
Prédio da Oncoclínicas ilustra recuperação extrajudicial da Alliança Saúde para renegociar dívidas

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo autorizou, na segunda-feira (10), o início do processo de recuperação extrajudicial da Alliança Saúde, rede de hospitais que busca renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. A decisão foi comunicada pela empresa na terça-feira (11), menos de uma semana após o protocolo do pedido, feito na quarta-feira (5), em meio à mudança no controle acionário da companhia.

O plano já conta com a adesão de mais de 83 credores — entre bancos, fornecedores e proprietários de imóveis — que somam 54% da dívida incluída na negociação, percentual suficiente para atender ao quórum exigido por lei para a homologação judicial. A companhia informou que as negociações com outros credores continuam.

Como funciona o plano de recuperação

Ao analisar o pedido, a Justiça entendeu que os requisitos previstos em lei foram cumpridos e permitiu que todas as empresas do grupo sejam tratadas conjuntamente no processo (nº 4144507-69.2026.8.26.0100), levando em conta a forte integração operacional, administrativa, financeira e patrimonial entre elas. A decisão também determinou a suspensão de cobranças judiciais e de outros processos relacionados às dívidas incluídas no plano, além de pedidos de falência vinculados a esses débitos.

O próximo passo é a publicação de um edital comunicando os credores sobre o processo. A partir daí, eles terão 30 dias para apresentar eventuais contestações ao plano, conforme prevê a Lei de Recuperação e Falências.

Segundo a Alliança, o plano oferece três alternativas aos credores. A principal prevê a troca da dívida por ações da empresa: mais de 92% do valor das dívidas já aderidas ao acordo será convertido em participação acionária, tornando bancos e fornecedores sócios da companhia.

Uma segunda opção prevê o pagamento de 30% do valor devido em 11 parcelas anuais, após carência de um ano — os 70% restantes seriam perdoados. Para credores com valores menores, há ainda a possibilidade de pagamento único de até R$ 15 mil em até 180 dias após a homologação.

O plano também prevê condições diferenciadas para fornecedores estratégicos e para proprietários de imóveis alugados pela rede, na tentativa de preservar relações comerciais consideradas essenciais à operação.

Ainda que o acordo seja negociado fora do processo judicial, a homologação pela Justiça é obrigatória para que ele valha para todos os credores incluídos no plano — inclusive os que não aderiram voluntariamente, como ocorreu com a recuperação extrajudicial da Raízen, homologada no fim de julho.

Onda de reestruturações no setor de saúde

A Alliança afirmou que a recuperação tem escopo estritamente financeiro e não interfere nas obrigações com pacientes, colaboradores, operadoras de planos de saúde, seguradoras e cooperativas médicas.

O pedido foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e ainda precisa ser ratificado pelos acionistas em assembleia geral extraordinária.

A Alliança Saúde segue um caminho já trilhado pela Oncoclínicas, que no mês passado entrou com pedido semelhante para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas — sinalizando uma onda de reestruturações no setor de saúde privada. A rede de oncologia enfrentava juros altos e um elevado nível de endividamento, cenário que também levou ao fim das negociações com Porto Seguro e Fleury para criar uma nova empresa do setor.