A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (6) lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, salto de 96,8% ante o mesmo período do ano passado.
O resultado foi turbinado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que fez o Brent, principal referência internacional do petróleo, disparar no período.
Maior produção, exportações recordes de petróleo e a valorização das cotações internacionais completaram o cenário por trás do balanço trimestral da estatal.
Guerra no Oriente Médio turbina cotações do petróleo
Segundo a Petrobras, o preço médio do barril de Brent saltou de US$ 67,82 no segundo trimestre de 2025 para US$ 104,52 no mesmo intervalo de 2026, alta de 54%. A escalada decorre do conflito entre Estados Unidos e Irã, que restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz desde 28 de fevereiro e reacendeu o temor de uma nova onda inflacionária global.
O Estreito de Ormuz concentra parte relevante do fluxo mundial de petróleo, e qualquer ameaça à navegação na região tende a pressionar os preços internacionais — efeito sentido diretamente no balanço da estatal brasileira.
Produção recorde e mais exportações
Além do câmbio favorável do petróleo, a Petrobras registrou avanço de 3,4% na produção total, impulsionado pela entrada em operação da plataforma P-79, no pré-sal, e por ganhos de eficiência operacional. A companhia também elevou o volume exportado de petróleo, outro fator citado no balanço como determinante para o resultado.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de despesas financeiras e impostos, somou R$ 93,8 bilhões entre abril e junho — 79,6% a mais que no mesmo intervalo de 2025. A empresa também gerou fluxo de caixa operacional de R$ 61,8 bilhões e fluxo de caixa livre de R$ 38,6 bilhões.
Acionistas recebem R$ 17,4 bilhões em antecipação
O conselho de administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalente a R$ 1,34814262 por ação ordinária e preferencial em circulação. O valor é uma antecipação de proventos previstos para 2026 e será pago em duas parcelas, em novembro e dezembro.
A companhia também informou ter recolhido R$ 88,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios no trimestre. O cenário de preços elevados já vinha sendo antecipado pelo mercado: em julho, o petróleo teve a maior alta semanal desde abril, com o Brent acumulando alta superior a 13% em meio à escalada do conflito no Estreito de Ormuz — movimento que sustentou as cotações ao longo de todo o trimestre e alimentou o resultado bilionário da estatal.