Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet comprometeram cerca de US$ 1,09 trilhão (R$ 5,6 trilhões) em contratos futuros para expandir a infraestrutura de inteligência artificial, segundo levantamento da Reuters.
O valor é para aluguel de data centers que ainda não entraram em operação — por isso, esses contratos não aparecem como dívida nos balanços das cinco gigantes de tecnologia.
Por que os contratos não entram no balanço
As regras contábeis explicam a diferença. Mesmo depois de assinar um contrato de locação, uma empresa só registra a obrigação como dívida quando o imóvel ou a instalação fica disponível para uso. Até lá, os pagamentos futuros aparecem apenas nas notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras — não são valores escondidos, mas também não entram nas principais métricas de endividamento.
É por isso que o total comprometido, US$ 1,09 trilhão, é quase quatro vezes maior que os US$ 285 bilhões em contratos de aluguel já reconhecidos como obrigação nos balanços das cinco empresas, segundo o levantamento da Reuters.
Oracle concentra o maior risco
A Oracle é a que mais destoa: informou US$ 260 bilhões em contratos futuros, quase sete vezes os US$ 37,9 bilhões já registrados em seu balanço. A própria empresa reconhece o risco — os prazos e preços fechados com fornecedores de data center podem não coincidir com os contratos assinados com seus clientes. Se parte deles deixar de renovar os serviços, a Oracle continuaria arcando com o custo das instalações. No fim de maio, a dívida da empresa equivalia a 4,4 vezes o Ebitda; somando os aluguéis já contabilizados, o índice sobe para 5,7 vezes.
Microsoft lidera, Meta acelera contratos
A Microsoft aparece à frente da lista, com US$ 329 bilhões em contratos futuros — mais que o triplo dos US$ 88,5 bilhões já registrados em seu balanço. A Meta soma US$ 279 bilhões em compromissos ainda não iniciados e, em julho, fechou mais US$ 68 bilhões em acordos para novos data centers, como o projeto Hyperion, na Louisiana, que teve o investimento elevado para US$ 50 bilhões. Parte dessa expansão já virou obra concreta, caso do data center de R$ 47 bilhões anunciado pela empresa no Canadá.
Alphabet e Amazon completam a lista com valores menores: US$ 85,2 bilhões e US$ 137,2 bilhões, respectivamente — no caso da Amazon, o número inclui também aluguéis de armazéns, escritórios, aeronaves e veículos, não só data centers. Somadas, as cinco empresas já comprometeram cerca de US$ 1,16 trilhão (R$ 5,96 trilhões) em contratos futuros.
A agência S&P Global Ratings afirmou que já incorporou os US$ 260 bilhões da Oracle em sua análise de crédito e projeta que o indicador de dívida da empresa fique próximo de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.