Peru e México anunciaram nesta sexta-feira (7) a retomada de relações diplomáticas, após meses de negociações mediadas discretamente pelo Brasil.
O comunicado conjunto cita os “laços históricos de irmandade, amizade e cooperação” entre os dois países e reafirma o compromisso com o direito internacional.
Segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela Globonews, o chanceler Mauro Vieira participou dos contatos que destravaram o acordo ao longo dos últimos meses.
Como o Brasil atuou nos bastidores
A reaproximação entre Lima e Cidade do México não surgiu do dia para a noite. Por trás do anúncio desta sexta-feira, o Itamaraty conduziu, de forma discreta, contatos com autoridades dos dois governos ao longo de meses, na tentativa de reconstruir uma relação diplomática desgastada.
O processo, no entanto, esbarrava em um fator decisivo: o resultado das eleições peruanas. Era preciso esperar para saber quem assumiria a presidência do Peru e qual seria a postura do novo governo em relação ao México.
Com a vitória de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, o cenário se definiu. Mauro Vieira esteve no Peru na semana passada para acompanhar a posse da nova presidente e, segundo relatos, recebeu ali a sinalização de que o governo peruano confirmaria a retomada das relações com os mexicanos.
O desfecho se acelerou nesta quinta-feira (6), quando o chanceler brasileiro se reuniu em Brasília com o chanceler mexicano, Roberto Velasco Álvares, para tratar diretamente do tema.
Governos ideologicamente opostos
O acordo chama atenção por unir dois governos de espectros políticos diferentes: o Peru de Keiko Fujimori, de direita, e o México de Claudia Sheinbaum, de esquerda. A convergência reforça a leitura de que a mediação brasileira buscou um terreno estritamente técnico e diplomático, evitando alinhamentos ideológicos.
Um dia após a reunião entre os chanceleres em Brasília, o anúncio formal veio a público, selando a retomada dos laços entre os dois países latino-americanos.
A atuação nos bastidores também é lida como um sinal da estratégia do Itamaraty de se posicionar como articulador de consensos na região, aproveitando a proximidade do governo brasileiro com diferentes correntes políticas da América Latina.