O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou nesta sexta-feira (3) Keiko Fujimori, eleita presidente do Peru com uma das menores margens do país — apenas 49.641 votos de diferença.
Em publicação nas redes sociais, Lula desejou à direitista “pleno êxito” no mandato e afirmou que o Brasil está pronto para construir “uma América do Sul mais próspera, integrada, democrática e soberana”.
Keiko Fujimori obteve 9.223.396 votos, ou 50,135% dos votos válidos, contra 9.173.755 do deputado de esquerda Roberto Sánchez, que somou 49,865%. A votação ocorreu no dia 7 de junho, mas a apuração se estendeu por semanas, expondo um país dividido ao meio.
A contagem foi marcada por tensão extrema: a apuração chegou a pender por apenas 1.026 votos, com os peruanos residentes no Brasil apontados como fator decisivo num resultado que só foi oficializado em julho.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko assume o Peru em um momento de grave instabilidade política. Ela substituirá o presidente interino de esquerda José María Balcázar Zelada, que está no cargo há apenas quatro meses — tornando a transição ainda mais turbulenta.
A virada ideológica é abrupta: o país passará de um governo de esquerda para a liderança de uma figura diretamente associada ao legado autoritário do fujimorismo, numa herança política que divide os peruanos.
Brasil se isola no xadrez político da América do Sul
A eleição de Keiko reforça um movimento de direita que vem redesenhando o mapa político do continente. Com a vitória de De la Espriella na Colômbia em junho, o governo Lula tornou-se um dos últimos de esquerda na América do Sul — e a eleição peruana aprofunda esse isolamento ideológico.
Para Lula, a movimentação diplomática revela uma estratégia de pragmatismo: manter canais abertos com vizinhos ideologicamente opostos em nome da integração regional. O presidente brasileiro falou em construir uma agenda bilateral ambiciosa com Lima, sinalizando que as divergências políticas não devem travar a cooperação.
O cenário coloca o Itamaraty diante de um desafio duplo: preservar a influência brasileira no continente sem abrir mão dos valores que orientam a política externa do governo petista.
Em seu pronunciamento, Lula também pediu à nova presidente que leve seu povo a um “projeto comum de desenvolvimento” — linguagem que sinaliza a aposta brasileira em pontes econômicas mesmo onde a sintonia política é quase nula.
