No Dia do Trabalhador, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) declarou que, se eleito, vai mudar a lei brasileira para permitir o trabalho de crianças.
A afirmação foi feita ao vivo no podcast Inteligência Ltda, nesta sexta-feira (1º). A legislação proíbe o trabalho de menores de 16 anos. A partir dos 14, é permitida apenas a modalidade de aprendiz, com regras específicas.
Durante o podcast, Zema contou que trabalhou desde os 5 anos ao lado do pai, que vendia peças automotivas. O pré-candidato disse ter tirado a Carteira de Trabalho aos 14 anos. “Eu trabalho desde que eu aprendi a contar”, afirmou.
O ex-governador de Minas Gerais reconheceu que estudar deve ser a prioridade das crianças, mas defendeu que elas “podem ajudar com questões simples, com questões ao alcance delas” ao trabalhar. Para ele, a proibição ao trabalho infantil existe hoje por causa da esquerda.
A declaração não é episódio isolado. Uma semana antes, no mesmo perfil de candidato disposto a provocar, Zema chamou de “populismo” o fim da escala 6×1 e classificou três ministros do STF como “frutas podres”.
No mesmo 1º de Maio em que Zema defendia o trabalho infantil ao vivo no podcast Inteligência Ltda, o presidente Lula celebrava nas redes a ampliação da licença-paternidade e a isenção do Imposto de Renda. O contraste entre os dois políticos resume o embate de projetos que deve definir as eleições de 2026.
A declaração foi feita em data simbólica: o Dia do Trabalhador, historicamente associado às conquistas dos direitos do trabalho. Ao defender o fim da proibição justamente no 1º de Maio, Zema sinalizou uma postura de confronto com as convenções políticas que cercam o tema — postura alinhada ao que o próprio candidato vem adotando ao longo da pré-campanha presidencial.
