A Casa Branca impôs nesta quinta-feira (6) uma tarifa de 15% e preços mínimos de importação sobre produtos de polissilício, matéria-prima usada na fabricação de chips e painéis solares.
A medida, assinada por Donald Trump com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, busca blindar fabricantes dos EUA da concorrência chinesa antes da entrada em vigor, em 4 de dezembro.
O que muda com a nova tarifa
Segundo documento divulgado pela Casa Branca, o governo fixou preços mínimos de importação de US$ 21 por quilograma para o polissilício bruto e de US$ 100 por quilograma para lingotes e lâminas do material. Para os produtos finais da cadeia solar, o piso é de US$ 0,22 por watt em células e US$ 0,38 por watt em módulos.
O polissilício é uma forma de silício de alta pureza usada tanto na fabricação de chips — incluindo os voltados a inteligência artificial — quanto na produção de equipamentos de energia solar. Fabricantes transformam lâminas do material em células solares, depois reunidas em módulos usados na geração de energia.
Base legal e vigência
Trump recorreu à Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, dispositivo que permite impor barreiras comerciais sob justificativa de segurança nacional. As novas regras passam a valer em 4 de dezembro.
Incentivo à produção doméstica
Além da tarifa, a medida autoriza o Departamento de Comércio a estruturar um programa de incentivos para empresas que investirem na construção de fábricas de polissilício ou de produtos derivados em território americano. A iniciativa reforça a estratégia do governo Trump de reduzir a dependência de insumos chineses em setores considerados estratégicos.
A cadeia de produção de polissilício é hoje dominada pela China, que concentra grande parte da capacidade mundial usada tanto em painéis solares quanto em semicondutores. Ao fixar preços mínimos de importação, a Casa Branca tenta tornar a produção nos EUA competitiva mesmo diante de custos historicamente mais altos que os praticados pelos concorrentes asiáticos.