O Ministério da Saúde ampliou nesta terça-feira (4) o teleatendimento psicológico para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, que salta de 600 para até 100 mil vagas mensais.
O cuidado em saúde mental para quem aposta é remoto, sigiloso e acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, e passou a atender também familiares e pessoas próximas afetadas pelo problema.
Como funciona o atendimento pelo aplicativo
O acesso é feito pelo Meu SUS Digital, com login via conta gov.br. O usuário abre a área “Miniapps” e escolhe a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Antes da consulta, responde a um autoteste e preenche um formulário indicando se a busca é para si ou para um familiar.
Concluída a solicitação, o sistema gera um protocolo e, quando a consulta é agendada, envia confirmação automática, link para a videochamada e lembretes de horário. As sessões duram cerca de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana, com ciclo inicial de até dez sessões por psicólogo.
Ao fim desse ciclo, uma nova avaliação decide se o paciente recebe alta, segue em novo ciclo remoto ou é encaminhado para atendimento presencial na rede pública, sempre integrado aos serviços locais de saúde do território.
Origem no Proadi-SUS e perfil dos usuários
O teleatendimento começou em março, dentro do Proadi-SUS, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com 600 vagas mensais. Segundo o Ministério da Saúde, a alta procura motivou o salto para 100 mil vagas. Levantamento do órgão mostra que 50,1% dos usuários são mulheres, a faixa de 30 a 34 anos concentra 27% dos atendimentos e 47% têm renda familiar entre um e três salários mínimos.
Autoexclusão e monitoramento das apostas
Paralelamente ao teleatendimento, o Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda mantêm o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, que acompanha os impactos das apostas na saúde da população. Uma das ferramentas vinculadas é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite bloquear voluntariamente o CPF em sites de apostas autorizados.
Mais de 1 milhão de pessoas já recorreram ao recurso. Entre os motivos informados, 35% apontaram perda de controle sobre as apostas, 15,26% decidiram parar por conta própria, 11,82% citaram dificuldades financeiras e 1,32% agiram por recomendação de um profissional de saúde.
Como o Tropiquim mostrou, a demanda por esse bloqueio dispara em momentos de maior exposição às apostas: só entre 11 de junho e 19 de julho, período da Copa do Mundo, 387.645 pessoas pediram a autoexclusão — 38% de todos os registros já feitos na plataforma.