Política

25 milhões de brasileiros apostam em bets ilegais, diz ministro da Justiça

Crime organizado mira o setor enquanto Anatel já derrubou mais de 40 mil plataformas
Ministro Dario Durigan anuncia ação contra bets ilegais no Brasil com fiscalização Anatel

Pelo menos 25,2 milhões de brasileiros fazem apostas por meio de plataformas ilegais no país. O dado foi apresentado nesta sexta-feira (19) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante anúncio de novas medidas do governo contra o mercado não regulamentado.

O governo informou ainda que vai bloquear os recursos dessas bets ilegais e redirecioná-los ao fundo de segurança pública, respeitando o processo legal.

Wellington César Lima e Silva foi enfático ao apontar que o crime organizado enxerga “estímulos” para migrar ao setor de apostas ilegais. Para o ministro, o governo precisa atuar de forma dura contra as empresas irregulares — uma ameaça à ordem econômica e veículo potencial de lavagem de dinheiro.

Os números apresentados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelam a dimensão da operação clandestina: dos mais de 40 mil aplicativos e sites ilegais derrubados pela Anatel — a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas —, apenas 350 pessoas foram responsáveis por toda a estrutura. Esses operadores utilizaram 37 instituições financeiras, predominantemente fintechs ou empresas de pagamento, para movimentar os recursos.

Controle concentrado

A equação impressiona: enquanto 25 milhões de usuários acessam plataformas sem autorização, toda a infraestrutura ilegal está nas mãos de um grupo reduzidíssimo de pessoas, com acesso ao sistema financeiro via instituições de menor porte e menos sujeitas à regulação tradicional.

A ofensiva tem respaldo legal concreto: horas antes do anúncio, o presidente Lula assinou uma medida que autoriza o bloqueio administrativo dos recursos das bets ilegais e seu redirecionamento ao fundo de segurança pública.

No mesmo dia, o governo revelou que quase 700 mil brasileiros já utilizaram a ferramenta de autoexclusão do gov.br — dado que contrasta com os 25 milhões ainda ativos em plataformas não autorizadas. A diferença entre os dois números evidencia a dimensão do desafio regulatório.

Fintechs no centro da fiscalização

O perfil das 37 instituições financeiras usadas pelos 350 operadores — majoritariamente fintechs e empresas de pagamento — tende a intensificar o debate sobre a regulação do setor financeiro digital. A facilidade de abertura de contas e movimentação de recursos nessas plataformas é vista como um dos fatores que viabilizam a operação de bets clandestinas em larga escala no Brasil.

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