Economia

Brasil vai à Índia driblar tarifaço dos EUA e ampliar comércio exterior

Ministro também participa de reunião de ministros do Brics em Jaipur, em busca de novos parceiros comerciais
Lula diante do Taj Mahal enquanto Brasil amplia comércio com Índia para contornar tarifas dos EUA

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, embarcou nesta segunda-feira (3) para a Índia, onde cumpre agenda em Mumbai e Nova Delhi ao longo da semana em busca de ampliar o comércio brasileiro nas áreas de defesa, tecnologia e indústria.

A viagem ocorre em meio à cobrança de dois tarifaços dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — 25% por supostas práticas desleais e 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado —, medidas que, segundo a CNI e a AmCham, atingem mais de 4 mil produtos.

Índia, uma aposta diante do tarifaço

Segundo o MDIC, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Diante das tarifas impostas pela Casa Branca, autoridades do ministério, do Itamaraty e do Palácio do Planalto passaram a defender a busca por novos parceiros e a ampliação de acordos já existentes — inclusive via Mercosul, com países como China, Canadá e Japão.

“A Índia é o segundo maior mercado consumidor do mundo e um grande parceiro comercial do Brasil, com quem mantivemos, em 2025, uma corrente de comércio de mais de US$ 15 bilhões”, afirmou Márcio Elias Rosa. Em Mumbai e Nova Delhi, o ministro se reúne com empresários dos setores de energia, infraestrutura, bens de consumo e fertilizantes.

A missão faz parte de um esforço mais amplo que o governo vem conduzindo desde julho para diversificar parceiros comerciais diante do impacto das tarifas americanas sobre setores como café, aço e alumínio.

Fertilizantes e a corrida do Brics

O governo estima que o Brasil importe mais de 90% dos fertilizantes consumidos no mercado interno, metade vinda de apenas dois países: Rússia e China. Em momentos de guerra, a produção desses fornecedores pode cair, prejudicando o agronegócio brasileiro — por isso o Itamaraty busca alternativas. Recentemente, o chanceler Mauro Vieira esteve no Uzbequistão e no Cazaquistão atrás de novos fornecedores.

Ainda na Índia, Márcio Elias Rosa segue para Jaipur, onde acompanha o encontro de ministros do Brics, grupo que reúne, além do Brasil, países como China, Rússia e a própria Índia. O bloco tem se ampliado nos últimos anos numa tentativa de reduzir a dependência econômica de seus membros em relação aos Estados Unidos.

As tarifas americanas afetam 18% das exportações brasileiras aos EUA — o equivalente a US$ 7,4 bilhões —, o pano de fundo que empurrou o governo a buscar novos mercados, como a Índia.