A ministra Cármen Lúcia, ex-presidente do TSE, defendeu nesta segunda-feira (27) a democracia brasileira e afirmou que nenhum país deve interferir nas decisões tomadas pelo Brasil, durante evento da SBPC em Niterói (RJ).
Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado pelo governo Lula de tentar interferir nas eleições de 2026, ela disse que cabe aos brasileiros definir os próprios rumos e alertou contra tentativas de fragilização institucional.
A declaração ocorreu durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No discurso, marcado por referências à ditadura militar, Cármen Lúcia relembrou que instituições como a SBPC funcionavam como espaços de resistência em um período de restrição às liberdades.
“Eu, no período em que fui estudante, algumas instituições eram nossa voz, porque estávamos com a boca amordaçada. Proibidas de pensar”, declarou a ministra, ao lembrar que as eleições da entidade científica mobilizavam a sociedade justamente por representarem uma oportunidade de manifestação em tempos de repressão política.
Defesa da urna eletrônica
Cármen Lúcia associou a democracia ao exercício do voto e reforçou a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. “Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo”, afirmou.
A ministra não citou diretamente as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que repetiu a diplomatas estrangeiros acusações contra as urnas eletrônicas já desmentidas pelo TSE.
A fala de Cármen Lúcia ocorre em meio à pressão de ministros do STF e do TSE por uma resposta mais dura à missão de diplomatas dos EUA que pretendia questionar o sistema eleitoral brasileiro. Dias antes, o presidente Lula já havia avisado que quem tentasse interferir nas eleições brasileiras “vai apanhar muito”.
No discurso, a ministra também citou o prazo de 70 dias para as eleições e defendeu a escolha livre de representantes pelos brasileiros, além de abordar a participação histórica das mulheres na sociedade.