Política

Lula avisa que interferência dos EUA nas eleições vai ‘apanhar muito’

Fala do presidente ocorre um dia após Itamaraty barrar vistos de diplomatas americanos citados em suposta estratégia contra as urnas.
Lula alerta sobre interferência dos EUA nas eleições, com Trump ao fundo em clima de tensão diplomática.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que quem “se meter” nas eleições brasileiras “vai apanhar muito”. A fala ocorreu durante a convenção estadual do PT em São Paulo, que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado.

O recado vem um dia depois de o Itamaraty negar visto a dois diplomatas dos Estados Unidos apontados como articuladores de uma ofensiva para questionar a integridade das urnas eletrônicas, poucas semanas antes do pleito presidencial de 4 de outubro.

Itamaraty barra diplomatas dos EUA

Nesta sexta-feira (24), o Itamaraty negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os dois foram citados pelo jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A fala de Lula vem um dia depois de o Itamaraty negar visto aos diplomatas americanos Riley Barnes e Samuel Samson, apontados pelo Washington Post como responsáveis pela estratégia de questionar as urnas eletrônicas.

A negativa foi comunicada antes mesmo da publicação da reportagem que revelou o plano. A viagem estava prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro. Segundo informações do blog do jornalista Valdo Cruz, o governo brasileiro foi avisado do caráter “inusitado” da missão e optou por barrar a entrada dos funcionários.

Flávio Bolsonaro e as urnas venezuelanas

O episódio ganha outro capítulo com o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com representantes de cerca de 40 países em um evento privado na semana passada. No encontro, ele disse que o Brasil usa urnas fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes — informação já desmentida pelo TSE. O senador nega questionar o sistema eleitoral, mas defendeu o envio de observadores internacionais para acompanhar o pleito no país.

STF classifica missão como “escandalosa”

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, ministros classificaram a tentativa de missão dos diplomatas americanos como “escandalosa” e “inusitada”. Para integrantes da Corte, a iniciativa representaria uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras e no processo eleitoral do país.

O atrito com Washington não é novo. Dias antes, o Departamento de Estado americano já havia rebatido Lula e afirmado estar atento à “integridade” do processo eleitoral brasileiro, em resposta a declarações do presidente. No mesmo período, Lula desafiou o secretário de Estado Marco Rubio a apoiar abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro, elevando o tom da disputa diplomática às vésperas da corrida presidencial de outubro.

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