Economia

Dólar sobe 0,60% mesmo com trégua entre EUA e Irã

Ibovespa também avança enquanto mercado observa tarifaço dos EUA e decisão de juros do Fed
Barris de petróleo e mapa do Estreito de Ormuz ilustram por que dólar sobe trégua Irã no mercado

O dólar fechou em alta de 0,60% nesta segunda-feira (27), cotado a R$ 5,1116, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,80%, aos 175.432 pontos.

O pregão foi impulsionado pela redução das tensões no Oriente Médio: Estados Unidos e Irã completaram dois dias seguidos sem ataques mútuos, ainda que não haja negociações de paz em andamento entre os dois países.

Trégua sem diálogo entre Irã e Estados Unidos

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, os dois países pausaram a troca de ataques, mas nenhuma negociação de paz está em curso. Após a terceira noite consecutiva sem bombardeios americanos, o regime iraniano também suspendeu seus ataques de retaliação contra países vizinhos aliados dos EUA.

Apesar da trégua não oficial, a tensão no Estreito de Ormuz segue elevada: nas últimas 24 horas, seis navios que tentaram cruzar a rota foram impedidos pela Guarda Revolucionária iraniana, segundo a TV estatal do país — um dia depois de outras quatro embarcações terem sido detidas. A origem do bloqueio no Estreito de Ormuz remonta a 13 de julho, quando o Irã bombardeou bases dos EUA no Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia e fechou a rota por tempo indeterminado.

Pelo estreito passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo, o que mantém as preocupações sobre a oferta da commodity mesmo com o alívio parcial nos preços registrado nesta segunda-feira.

Mercados globais avançam, mas Wall Street fica dividida

Na Europa, os principais índices fecharam em alta à espera da decisão de juros do Federal Reserve (Fed), prevista para esta semana: o DAX alemão subiu 1,04%, o CAC-40 francês avançou 0,40% e o FTSE 100 britânico teve alta de 0,42%. Em Wall Street, porém, o desempenho foi mais contido: o Dow Jones avançou 0,49%, o S&P 500 ficou praticamente estável e o Nasdaq recuou 0,16%.

Na Ásia, as ações chinesas subiram com o otimismo em torno da estreia da fabricante de chips de memória CXMT Corp na bolsa: o CSI 300 e o Índice de Xangai fecharam em alta de 1,15%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1% e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,97%.

Tarifaço e diplomacia comercial no radar

No Brasil, o mercado segue atento à resposta do governo ao tarifaço dos Estados Unidos. No domingo (26), o presidente Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, discutiram o aprofundamento da cooperação bilateral e a aceleração das negociações para um acordo entre China e Mercosul. Dias antes, a tensão já vinha se somando à guerra comercial: a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros havia entrado em vigor e o petróleo chegara perto de US$ 100 o barril em meio à escalada no Oriente Médio.

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