Economia

Acordo EUA-Irã derruba dólar e dispara bolsas asiáticas

Memorando de paz será assinado na Suíça na sexta-feira; Superquarta também entra no radar do mercado
Trump e mapas mostrando acordo de paz EUA Irã no Oriente Médio, Estreito de Ormuz e impacto no dólar

O dólar iniciou a semana em queda, cotado a R$ 5,0443 com recuo de 0,35% por volta das 9h desta segunda-feira (15), em reação ao acordo de paz anunciado entre Estados Unidos e Irã.

O entendimento foi confirmado no domingo (14) pelo presidente americano Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador das negociações. A cerimônia de assinatura do memorando está prevista para 19 de junho, na Suíça.

Nas bolsas asiáticas, o alívio geopolítico se traduziu em altas expressivas: o Nikkei, do Japão, subiu 4,99%, e o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 5,20%.

Os termos do acordo

O memorando de entendimento entre Washington e Teerã não teve seus detalhes divulgados imediatamente. Segundo a imprensa americana, o texto deve prever a reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa parcela significativa do comércio global de petróleo — e uma nova trégua que inclui o Líbano.

Questões relacionadas ao programa nuclear iraniano deverão ser abordadas em etapa posterior às negociações.

Em publicação na rede social X, o primeiro-ministro Sharif afirmou que “ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”. Trump também confirmou o acordo em post na plataforma Truth Social.

Israel fora do cessar-fogo

Apesar do memorando, Israel declarou que não retirará suas tropas da região do Líbano. O Hezbollah, por sua vez, afirmou que vai monitorar o cumprimento da trégua pelo governo israelense — sinalizando que sua adesão ao cessar-fogo depende da postura de Tel Aviv.

A virada é expressiva: há menos de uma semana, Israel e Irã trocavam ataques diretos pela primeira vez desde abril, num episódio que sacudiu mercados globais e fez o Nikkei cair quase 4% e o Kospi despencar 8%.

O cenário contrasta com o início de junho, quando o Irã suspendeu as negociações com Washington em meio a novos ataques israelenses no Líbano — movimento que mantinha o câmbio volátil e o petróleo pressionado.

Superquarta no radar

Além do cenário geopolítico, o mercado acompanha nesta semana a chamada Superquarta — quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária no mesmo dia.

O Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica americana no patamar atual, diante de sinais de inflação ainda elevada nos EUA. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia suas negociações às 10h.

Bolsas asiáticas disparam

O otimismo com o acordo de paz se refletiu com força nas bolsas da Ásia. Na China, o CSI300 — índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen — avançou 2,4%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,5%.

Japão e Coreia do Sul registraram altas ainda mais intensas: o Nikkei fechou com ganho de 4,99% e o Kospi avançou 5,20% — desempenho que inverte o tombo registrado dias atrás durante a escalada do conflito no Oriente Médio.