O dólar voltou a pressionar o câmbio nesta sexta-feira (5), impulsionado por um payroll americano bem acima das expectativas. Por volta das 10h50, a moeda subia 1,01%, cotada a R$ 5,1179, com máxima de R$ 5,1209 na sessão — primeiro pregão após o feriado de Corpus Christi.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,22%, aos 169.956 pontos no mesmo horário. Além do dado americano, as tensões no Oriente Médio continuaram a pesar sobre o humor dos mercados globais.
172 mil vagas: resultado que dobrou a expectativa
O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou a criação de 172 mil vagas não agrícolas em maio — número que superou em mais do dobro a projeção de mercado, fixada em 85 mil postos. O resultado de abril também foi revisado para cima, de 177 mil para 179 mil vagas.
O desempenho reforça que o mercado de trabalho americano segue aquecido e alimenta a expectativa de que o Federal Reserve postergue qualquer corte de juros — pressão que se transmite diretamente ao câmbio de países emergentes, como o Brasil.
Líbano acusa Irã de usá-lo como peão nas negociações
No front geopolítico, o Líbano acusou o Irã de utilizar o país como “moeda de troca” nas negociações com Washington. O território libanês voltou a sofrer ataques aéreos israelenses, e a diplomacia iraniana condicionou qualquer avanço nas tratativas à interrupção dos bombardeios sobre o Líbano — impasse que segue sem solução.
Mercados globais no vermelho
Wall Street fechou em queda na véspera: Dow Jones recuou 1,21%, aos 50.688 pontos; S&P 500 cedeu 0,71%, aos 7.555 pontos; e Nasdaq Composite perdeu 0,89%, aos 26.853 pontos.
Na Europa, o STOXX 600 caiu 0,7%. DAX alemão e CAC-40 francês recuaram 1,31% e 0,71%, respectivamente, enquanto o FTSE 100 britânico subiu 0,40%. Na Ásia, Nikkei avançou 2,5%, Shanghai Composite ganhou 0,2% e CSI 300 subiu 0,5% — mas o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,6%.
Mais de três meses após os ataques cruzados entre EUA, Israel e Irã, o conflito permanece em impasse. O conselheiro militar do líder supremo iraniano alertou para a possibilidade de novos ataques com mísseis e drones caso Washington retome ofensivas contra o país — ameaça formulada após bombardeios americanos a um petroleiro iraniano e à ilha de Qeshm desencadearem retaliações ao Kuwait e ao Bahrein, com 1 morto e mais de 60 feridos no aeroporto kuwaiti.
Os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional diante dos sinais mistos. Na quarta-feira, a mesma combinação de impasse nuclear e a declaração de Trump — de que o Irã teria concordado em não possuir armas nucleares — já havia pressionado o câmbio, antecipando o movimento desta sexta.
Trump se mostrou otimista com as negociações, destacando que o líder supremo iraniano, Motjaba Khamenei, participa dos diálogos e que gostaria de conhecê-lo pessoalmente. A série de retaliações remonta a 28 de maio, quando ataques iranianos a uma base americana já haviam levado o dólar a R$ 5,07 — inaugurando a sequência que se aprofunda nesta sexta-feira.
A força do payroll desta sexta contrasta com projeções anteriores, quando o mercado estimava apenas 62 mil vagas — desta vez, os 172 mil postos superaram em mais do dobro a expectativa de 85 mil, consolidando a narrativa de resiliência do emprego americano e aumentando a pressão sobre moedas emergentes.
