A defesa do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (28) novos elementos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ampliar a notícia-crime contra o presidente Lula (PT).
Segundo os advogados, Lula usa incitação à violência política como estratégia eleitoral e naturaliza a ideia de que caberia a morte ao adversário.
O pedido cita declarações feitas por Lula na convenção do PDT, quando ele voltou a chamar integrantes da família Bolsonaro de ‘traidores da pátria’.
O que diz a notícia-crime
Na petição enviada ao STF, os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que Lula “não incorre em lapsos retóricos isolados”, mas se vale, “deliberada e sistematicamente, da incitação à violência política como instrumento de disputa eleitoral”. Segundo a defesa, o presidente teria buscado vantagem nas eleições ao “naturalizar” a ideia de que ao adversário “caberia a morte”.
O documento classifica a conduta como uma estratégia que, em meio ao que descreve como cenário de crescente violência política, ameaça tanto a integridade física do senador quanto “a própria higidez do processo democrático”.
Discurso na convenção do PDT
O novo pedido tem como base falas de Lula durante a convenção do PDT que confirmou apoio à sua candidatura à reeleição. No evento, o presidente voltou a se referir a integrantes da família Bolsonaro como “traidores da pátria”, associando o grupo à possibilidade de aplicação de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
A notícia-crime apresentada nesta terça-feira reforça um pedido que Flávio já havia protocolado no mês passado, quando acusou Lula de incitar sua morte ao citar o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis durante discurso em Catalão (GO).
A expressão “traidores da pátria” já havia sido usada por Lula em julho, quando criticou a carta que Flávio enviou ao USTR pedindo o adiamento do tarifaço americano, o que ampliou a troca de farpas entre os dois.
O embate ocorre em meio a outro processo que corre em sentido oposto: Flávio também responde a inquérito por calúnia contra Lula, depois que a PGR pediu a oitiva do senador por atribuir ao presidente crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em publicação nas redes sociais.