O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rebateu nesta quinta-feira (2) as acusações do presidente Lula (PT) e afirmou que o petista é “o único interessado” em um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A troca de farpas escalou após Lula classificar como “mais uma atitude de traidores da pátria” a carta enviada por Flávio ao governo Trump na véspera — na qual o senador pedia adiamento de 180 dias das tarifas americanas de 25%.
PIX e narcoterrorismo entram na disputa
Em nota, Flávio afirmou ter defendido pessoalmente o PIX em reunião com Trump e com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. O sistema de pagamentos instantâneos está no centro da investigação americana, que enquadra práticas do PIX como “irrazoáveis” e justifica tarifas de 25% sobre exportações brasileiras.
O senador também acusou o governo Lula de ter “envergonhado o Brasil” ao negociar com Washington para evitar que facções criminosas nacionais fossem classificadas como organizações terroristas. Para ele, o presidente “ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas”.
“Fez isso acreditando que pode transformar a possível punição às empresas brasileiras em uma falsa narrativa de ‘defesa da soberania’. Lula está se lixando para o Brasil. Faz qualquer coisa para tentar se reeleger”, escreveu o senador em rede social.
A briga desta quinta tem como estopim direto a carta enviada por Flávio na véspera ao USTR, em que o senador pediu adiamento de 180 dias das tarifas e se identificou como pré-candidato à Presidência — movimento que o Itamaraty e Lula já classificaram como interferência indevida.
Eleições 2026 no centro do debate tarifário
O ângulo eleitoral é estruturante no embate. No documento enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), Flávio argumentou que a aplicação das tarifas antes de outubro fortaleceria Lula politicamente em ano de disputa presidencial — razão pela qual pediu o adiamento de 180 dias.
Lula, por sua vez, rechaçou a hipótese em rede social: afirmou que não há justificativas para novas taxas sobre exportações brasileiras “nem antes e nem depois das eleições presidenciais” e atribuiu a crise a “articulações da família Bolsonaro”.
A ofensiva de Flávio junto ao governo americano não começou com a carta: uma semana antes, o senador já havia pedido credenciamento para falar na audiência pública do USTR, o que levou o Itamaraty a cobrar publicamente desculpas dos “traidores da pátria”.
O vocabulário de Lula nesta quinta — “traidores da pátria”, “Brasil não está à venda” — repete o tom que o presidente já havia adotado em reunião ministerial de junho, quando chamou de “imbecil” quem não via a taxação americana como prejuízo ao país.
