A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira (6) que a Polícia Federal realize a oitiva do senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura se ele cometeu crime de calúnia contra o presidente Lula.
A solicitação é mais um desdobramento de uma investigação aberta em abril no STF, após a PF concluir que uma postagem do parlamentar no X atribuiu falsamente crimes ao chefe do Executivo.
A postagem que originou o caso
Em 3 de janeiro de 2026, Flávio Bolsonaro publicou no X uma mensagem atribuindo a Lula a prática de crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Na mesma publicação, o senador associou imagens do presidente brasileiro ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, acompanhadas de texto afirmando que Lula “será delatado”.
Em junho, a Polícia Federal já havia concluído que a postagem configurava falsa imputação de crimes — relatório que Moraes encaminhou à PGR e que agora motiva o pedido de oitiva do senador.
Na manifestação desta segunda-feira, a PGR solicitou “o retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado” e pediu nova vista dos autos para se manifestar sobre o relatório conclusivo das investigações.
A decisão que abriu o inquérito, assinada por Alexandre de Moraes em 13 de abril de 2026, atendeu a pedido da própria PF e contou com parecer favorável da procuradoria na mesma ocasião. Ao concluir o trabalho, a PF pediu que o STF adotasse as providências necessárias, e Moraes encaminhou o relatório à PGR para análise.
O caso ganha peso adicional pelo momento eleitoral: Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República em 2026, e uma eventual denúncia criminal pode ter desdobramentos tanto no STF quanto no TSE, afetando diretamente sua elegibilidade.
A situação tem uma ironia que não passa despercebida: semanas antes de virar investigado, Flávio havia acionado o próprio STF contra Lula, acusando o presidente de incitação ao crime por um discurso sobre o enforcamento de Tiradentes.
O próximo passo depende agora da Polícia Federal, que deverá intimar o senador para prestar esclarecimentos. Após a oitiva, um novo relatório conclusivo será enviado à PGR, que então definirá se oferece ou não denúncia ao Supremo.
