A Polícia Federal concluiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu crime de calúnia contra o presidente Lula ao publicar, em 3 de janeiro de 2026, uma postagem na rede X atribuindo ao petista crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O relatório foi encaminhado ao STF, onde o ministro Alexandre de Moraes conduz o inquérito aberto em abril. O próximo passo é a análise da PGR, que pode arquivar o caso, pedir mais diligências ou oferecer denúncia contra o senador.
Como a investigação chegou ao STF
A abertura do inquérito foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em 13 de abril de 2026, em resposta a pedido da própria Polícia Federal e com parecer favorável da PGR. A Procuradoria sustentou que a conduta apresenta “indícios concretos” de atuação criminosa, caracterizando uma imputação falsa e “vexatória” de delitos a Lula.
Na publicação, Flávio associou imagens do presidente brasileiro ao ditador venezuelano Nicolás Maduro e afirmou que Lula “será delatado”. Os crimes atribuídos incluíam tráfico de drogas e lavagem de dinheiro — imputações que, para a PF, configuram falsa atribuição de fatos criminosos.
Ao encerrar o inquérito, a PF pediu ao STF que adote “as providências necessárias”. Moraes deve agora encaminhar o relatório à PGR, que terá três caminhos: solicitar novas diligências, arquivar o caso ou formalizar uma denúncia contra o pré-candidato à Presidência da República.
O caso carrega uma inversão de papéis marcante: foi o próprio Flávio quem, em junho de 2026, ingressou com uma notícia-crime no STF contra Lula — agora é ele quem figura como investigado no tribunal. Entenda a ação que Flávio moveu contra Lula no STF por fala sobre o enforcamento de Tiradentes.
Eleições 2026 e o espelho do TSE
A investigação ganha contornos políticos relevantes. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência para 2026, enfrenta um inquérito no STF que pode resultar em denúncia criminal — justamente enquanto busca consolidar sua posição como principal nome da oposição ao governo Lula.
O caso encontra um espelho preciso em uma decisão paralela do Tribunal Superior Eleitoral. Apenas três dias antes, o TSE havia ordenado a remoção de publicações que associavam o próprio Flávio a organizações criminosas sem base factual — exatamente o tipo de imputação que a PF agora identificou nas postagens do senador contra Lula. Leia como o TSE usou o mesmo argumento para mandar apagar posts que ligavam Flávio a organizações criminosas.
O próximo capítulo depende da PGR. Caso a Procuradoria opte por oferecer denúncia, Flávio se tornará réu no STF — um desdobramento com implicações diretas sobre sua pré-candidatura e sobre a dinâmica da disputa presidencial de 2026.
