O governo do presidente Lula (PT) afirma não ver problema na presença do presidente argentino Javier Milei na convenção nacional do PL, neste sábado (25), em São Paulo, que oficializa a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Apesar disso, o Palácio do Planalto informou que vai rebater qualquer declaração de Milei sobre temas internos do Brasil, como urnas eletrônicas, processo eleitoral e comentários dirigidos a Lula.
Segundo fontes do governo, o Brasil foi avisado pela embaixada da Argentina sobre a viagem de Milei ao evento do PL, mas não houve pedido de encontro com autoridades brasileiras. Milei desembarcou no país na sexta-feira (24) para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro, que aparece com oito pontos de desvantagem para Lula num eventual segundo turno.
Vice ainda indefinido
Flávio Bolsonaro chega à convenção sem candidato a vice-presidente definido. Ele quer uma mulher na chapa para ampliar sua aceitação entre o eleitorado feminino, segmento em que tem menor apoio. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusou o convite: avisou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que pretende disputar a presidência do Senado em 2027 e que a campanha presidencial inviabilizaria esse projeto. A indefinição da chapa já se arrasta desde o início das convenções partidárias.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, comunicou a Flávio que a federação formada por PP e União Brasil vai adotar neutralidade no primeiro turno da eleição presidencial, podendo repetir a posição no segundo. A campanha ainda vai tentar anunciar um vice até 5 de agosto, prazo final das coligações.
Articulação de Lula nos bastidores
O governo Lula atuou diretamente para que a federação União Progressista mantivesse neutralidade. Segundo interlocutores, o pedido foi feito em duas frentes: pelo ministro da Articulação Política, José Guimarães, e pelo presidente do PT, Edinho Silva. Guimarães, ex-líder do governo na Câmara e com trânsito no Centrão, conversou com os líderes do PP, Doutor Luizinho (PP-RJ), e do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (União-MA), enquanto Edinho tratou diretamente com os presidentes dos partidos.
O próprio Lula conversou com lideranças das duas legendas, que até recentemente tinham ministros no governo petista, para evitar que apoiassem Flávio Bolsonaro — apoio que garantiria à campanha mais tempo de TV, rádio e recursos do Fundo Eleitoral. A neutralidade da federação também é vantajosa para PP e União Brasil, que preferem concentrar o fundo eleitoral nas disputas estaduais.
Entre os partidos, pesa ainda o temor de novas acusações envolvendo o pré-candidato e o banqueiro Daniel Vorcaro, além do desânimo das legendas com a candidatura de Flávio, que atravessa um momento de crise interna.
