Saúde

Casos de hepatite A disparam em São Paulo e batem recorde em 2026

Enquanto hepatites B e C caem, especialistas apontam enchentes e saneamento precário como causas do avanço.
Vista aérea de São Paulo com rio poluído, simbolizando o aumento dos casos de hepatite A em SP.

São Paulo registrou 1.880 casos de hepatite A no primeiro semestre de 2026, superando os 1.663 casos notificados em todo o ano de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

A alta é a quarta seguida desde 2022, quando foram registrados 294 casos — no ano passado, a marca já havia saltado para 1.176. Hepatites B e C, ao contrário, seguem em queda no estado.

Aumento concentrado em algumas regiões

Segundo Alessandra Lucchesi, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria da Saúde, a hepatite A é a única entre as principais hepatites virais com crescimento consistente. Ela afirma que o número atual já supera os registros da epidemia de 2017 no estado.

Entre os fatores apontados pela especialista estão enchentes e enxurradas com potencial de contaminação da água, consumo de água e alimentos contaminados, compartilhamento de seringas e agulhas e práticas sexuais que favorecem a transmissão fecal-oral. Apesar da alta, a secretaria não classifica o cenário como epidemia estadual, já que o crescimento se concentra em regiões como Ribeirão Preto.

Surto em Guarulhos

Na Grande São Paulo, Guarulhos notificou um surto de hepatite A neste ano, embora dados recentes indiquem tendência de queda nos casos. A Prefeitura informou que o surto segue monitorado e que ainda é cedo para declarar seu encerramento. As investigações apontam forte associação com possível contaminação da água como origem do problema, o que reforça o vínculo entre a doença e as condições de saneamento básico do país, ainda distante da meta de universalização prevista para 2033, com 43,3% dos brasileiros sem coleta de esgoto.

Enquanto a hepatite A avança, os registros de hepatite B e C recuam no estado: a hepatite B caiu 14,6% entre 2022 e 2025, e a hepatite C, 20,1%, no mesmo período. A vacina contra hepatite A integra o calendário infantil do SUS, aplicada em dose única aos 15 meses, além de estar disponível para grupos adultos como imunossuprimidos, transplantados e usuários de PrEP.

O avanço da doença também expõe a fragilidade ambiental de parte do território paulista. Um levantamento do Unicef identificou 333 municípios brasileiros com vulnerabilidade ambiental severa, somando problemas de saneamento a eventos climáticos extremos como as enchentes citadas pelas autoridades como fator de risco.

Durante o Julho Amarelo, cidades da Grande São Paulo reforçam prevenção e testagem. Em Diadema, a prefeitura promoveu 19 atividades no mês, incluindo rodas de conversa com manicures sobre prevenção das hepatites B e C. Na capital, as Unidades Básicas de Saúde ampliaram a oferta de exames para diagnóstico precoce e reforçaram a vacinação contra hepatite B para toda a população não vacinada.

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