A equipe econômica do governo Lula deve anunciar, até o fim de semana, a prorrogação por mais dois meses do subsídio que segura o preço da gasolina nas bombas. O benefício vence neste fim de semana e é mantido diante da retomada da guerra no Oriente Médio.
Criado em maio pelo Ministério da Fazenda, o subsídio de R$ 0,44 por litro é pago a produtores e importadores de gasolina por meio da ANP, para conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor brasileiro.
Como funciona o subsídio à gasolina
A subvenção começou a valer em maio, poucos dias antes de a Petrobras anunciar um reajuste de R$ 0,48 por litro na gasolina A vendida às distribuidoras. Por causa do subsídio, o aumento repassado às bombas ficou limitado a R$ 0,04 por litro.
Além da subvenção, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na semana passada a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A extensão do subsídio vem na esteira da decisão do CNPE de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, outra frente que o governo usa para tentar reduzir a dependência do petróleo importado e conter os preços. A medida tem validade inicial de 180 dias e pode ser prorrogada uma vez por igual período.
Guerra no Oriente Médio segue pressionando preços
A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, travou o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo global, e levou o barril a superar os US$ 100. Em 17 de junho, EUA e Irã fecharam um acordo de paz preliminar que derrubou o preço para menos de US$ 80 por algumas semanas.
Em 8 de julho, porém, o presidente Donald Trump anunciou o fim do acordo e disse não buscar mais diálogo com Teerã, o que voltou a pressionar os combustíveis. Nesta semana, o petróleo volta a operar acima de US$ 100 por barril. A prorrogação repete o movimento de julho, quando o governo já havia adiado a retirada do subsídio depois de uma nova rodada de ataques dos EUA contra o Irã elevar o petróleo em mais de 5% em um único dia.
A decisão contrasta com o desmonte do subsídio ao diesel, encerrado em 1º de julho, mostrando que a gasolina segue como prioridade na estratégia do governo para conter os preços dos combustíveis.
