A Petrobras já fechou a importação dos 650 milhões de litros de diesel que vão complementar a oferta brasileira em outubro, mês em que o consumo do combustível bate um dos picos do calendário.
A informação é da diretora de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Angélica Laureano, que descartou compras externas em volume relevante para novembro.
Refinaria parada no pior mês possível
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, está sendo desligada para uma manutenção programada e só deve voltar a operar em novembro. É a peça que ajuda a explicar o tamanho da encomenda externa.
As demais unidades da companhia seguem rodando com nível de utilização da capacidade “bastante alto”, afirmou a executiva em declarações publicadas pelo g1. Não há, portanto, folga adicional no parque de refino para cobrir a ausência da Repar.
Outubro é o gargalo do calendário
O mês concentra o plantio da safra de verão e, ao mesmo tempo, o transporte do milho recém-colhido. Máquina no campo e caminhão na estrada disputam o mesmo combustível, e o resultado é um dos períodos de maior demanda por diesel no país.
A intervenção na Repar já vinha sendo empurrada no calendário: em abril, foi justamente o adiamento da parada que permitiu à estatal cortar 10% da oferta de diesel e descartar importações. Agora que a manutenção finalmente acontece, ela cai no mês mais apertado do abastecimento.
Novembro alivia a conta
Passado o pico da safra, a companhia não projeta repetir a operação. “Não é previsto que em novembro venhamos a importar um volume grande de diesel, porque já é um momento depois da safra”, disse Angélica Laureano.
Com a Repar de volta à operação no mesmo mês, a equação se inverte: mais refino próprio disponível e menos pressão de consumo do agronegócio sobre a oferta.
A medida da dependência
Precisar de 650 milhões de litros importados para atravessar um único mês dá o tamanho do caminho que ainda falta percorrer: a Petrobras trabalha com a meta de produzir 100% do diesel e da gasolina consumidos no Brasil até 2031. Enquanto o parque de refino não ganhar essa folga, cada parada programada continuará sendo resolvida no mercado externo.